Digitalização e privatização na USP?
Anos atrás, para alegria de todos, o bibliófilo José Mindlin doou parte de seu acervo à Universidade de São Paulo. Para abrigar o acervo, e disponibilizá-lo ao público, foi criada, como órgão da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão da USP, a Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, tendo seu regimento baixado em finais de 2004 (http://www.usp.br/leginf/resol/r5172c.htm).
As informações acerca da referida Biblioteca – cujo prédio deverá ser inaugurado, segundo dados disponibilizados pela grande imprensa, no começo do segundo semestre de 2012 – estão disponíveis no site www.brasiliana.usp.br.
Lê-se nesse sítio que a Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin divide espaço com a Brasiliana Digital (www.brasiliana.usp.br/node/505), Uma Biblioteca Digital USP destinada a “tornar irrestrito o acesso aos fundos públicos de informação e documentação sob sua guarda”. Tal iniciativo, cujo projeto piloto foi iniciado, segundo o próprio site, em 2009, resulta de uma pareceria entre a Biblioteca Brasiliana e o “KNOMA – Laboratório de Engenharia de Conhecimento do Departamento de Engenharia de Computação e Sistemas Digitais” da Escola Politécnica da mesma Universidade de São Paulo.
A iniciativa contou com recursos do Ministério da Cultura (MinC) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) que, entre outras coisas, financiou a compra do primeiro ROBÔ “digitalizador” da Brasiliana USP, candidamente apelidado de MARIA BONITA. Segundo normas da FAPESP, tal robô deveria ser utilizado para os serviços da própria Brasiliana e, quando “ocioso”, por outras unidades da Universidade de São Paulo, gratuitamente.
No início deste ano, como noticiado no próprio site (www.brasiliana.usp.br/node/888), Maria Bonita ganhou 5 Irmãs, ou seja, cinco novos robôs, dois deles pertencentes ao SIBi (Sistema Integrado de Bibliotecas da USP), também “resultado de um apoio da FAPESP”, e outros três com verba do BNDES.
Maria Bonita e suas irmãs deveriam estar sendo utilizadas para digitalizar – graciosamente – o acervo doado pelo bibliófilo e também as coleções de obras raras de outras unidades da USP, caso, segundo publicizado, de obras da Faculdade de Direito e da Escola Politécnica da mesma Universidade. Nada mais justo, uma vez que foram compradas com dinheiro público e são operadas por funcionários e estagiários pagos pela USP (uma equipe de “mais de quarenta profissionais”, quando da instalação do projeto piloto em 2009, segundo noticia o site).
Eis que, em meio a esse processo, surge uma nova figura. Esta sim estranha à estrutura e ao controle da USP: o Instituto Brasiliana (http://institutobrasiliana.com/home.html ou http://institutobrasiliana.org.br/home.html). Uma associação que visa aproximar “o poder público, o meio acadêmico”, o público m geral e “os investidores privados”, como se lê no site dessa associação cuja institucionalidade não está bem esclarecida.
Comparando-se o site da Brasilina/USP e o do Instituto Brasiliana nota-se uma clara identificação entre seus dirigentes. Ver páginas : www.brasiliana.usp.br/node/503 – no canto direito – e http://institutobrasiliana.org.br/equipe.html.
Tal Instituto não parece ter sede “física” ou sequer telefone, uma vez que o único contato disponível é o e-mail contato@institutobrasiliana.org.br. Mais curioso ainda é o fato de que todas as imagens que ilustram os referidos sites – institutobrasiliana.com ou institutobrasiliana.org.br – foram “gentilmente cedidas pela Brasiliana USP”.
O referido Instituto parece ter feito sua estreia online em setembro de 2011, quando seu logotipo apareceu, entre outros – vale dizer entre instituições ou bem vinculadas à USP, ou a outros organismos públicos –, como um dos patrocinadores do seminário “Frei Mariano Veloso e a Tipografia do Arco do Cego”, organizado pela Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, evento divulgado no site www.brasiliana.usp.br/SM2011/.
Entre os malefícios da falta de transparência do que é de fato a Brasiliana/USP e da morosidade de sua institucionalização junto à Universidade de São Paulo, está a alimentação de rumores. Como, por
exemplo, o rumor de que o Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, em troca da digitalização de parte de seu acervo, estaria pagando o Instituto Brasiliana pelo serviço. Ora, isso possibilita uma “transferência” de recursos entre “órgãos” da Universidade, uma vez seus estatutos proíbem tal tipo de “empreendimento”; a despeito do fato que o trabalho esteja sendo feito em dependências da USP, por funcionários e estagiários pagos pela própria USP, e com uso de equipamentos financiados por agências públicas, a Maria Bonita e as suas Irmãs.
O que pensaria Lampião de tudo isso?
O reitor Rodas e a crise da segurança: a doutrina uspiana do choque
Segue uma narrativa de um estudante da USP no site Passa Palavra sobre a série de eventos em torno da segurança da USP, muito comentada ultimamente após a morte do estudante da FEA, morto no estacionamento da faculdade. (mais…)
O que você não leu na mídia sobre Paulo Renato (1945-2011)
Por Idelber Avelar via Revista Fórum 28/06/11
Morreu de infarto, no último dia 25, aos 65 anos, Paulo Renato Souza, fundador do PSDB. Paulo Renato foi Ministro da Educação no governo FHC, Deputado Federal pelo PSDB paulista, Secretário da Educação de São Paulo no governo José Serra e lobista de grupos privados. Exerceu outras atividades menos noticiadas pela mídia brasileira.
Nas hagiografias de Paulo Renato publicadas nos últimos dois dias, faltaram alguns detalhes. A Folha de São Paulo escalou Eliane Cantanhêde para dizer que Paulo Renato deixou um “legado e tanto” como Ministro da Educação. Esqueceu-se de dizer que esse “legado” incluiu o maior êxodo de pesquisadores da história do Brasil, nem uma única universidade ou escola técnica federal criada, nem um único aumento salarial para professores, congelamento do valor e redução do número de bolsas de pesquisa, uma onda de massivas aposentadorias precoces (causadas por medidas que retiravam direitos adquiridos dos docentes), a proliferação do “professor substituto” com salário de R$400,00 e um sucateamento que impôs às universidades federais penúria que lhes impedia até mesmo de pagar contas de luz. No blog de Cynthia Semíramis, é possível ler depoimentos às dezenas sobre o que era a universidade brasileira nos anos 90.
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Ricos pagam pouco
por Vladimir Safalte – Folha de São Paulo, 28 jun. 2011.
Há alguns dias, uma pesquisa veio mostrar o que todos aqueles que realmente se preocupam com reforma tributária no Brasil sabem: os ricos pagam pouco imposto.
Quem recebe R$ 3.300 por mês, leva para casa, descontados Imposto de Renda e Previdência, 84% do seu salário. Já alguém que ganha R$ 26.600 por mês, leva 74%. Um profissional holandês, por exemplo, pode contar apenas com 55% de seu salário, e mesmo um norte-americano traz para casa menos que um brasileiro: 70%. (mais…)
A Educação e a prova dos nove
Apesar de inúmeros avanços nos últimos anos, estamos apenas caminhando em uma área na qual o País precisaria estar voando. O que impera é não só o dissenso, fustigado pelo obscurantismo, como uma disputa sobre o papel do sistema público, seu peso no orçamento do Estado e sua relação com o mercado da educação, um dos mais rentáveis do País.
Por Antonio Lassance – Carta Maior
Ao contrário do que parece, não existe e nunca existiu no Brasil o propalado consenso sobre a importância da educação. O que impera é não só o dissenso, fustigado pelo obscurantismo, como um disputa sobre o papel do sistema público, seu peso no orçamento do Estado e sua relação com o mercado da educação, um dos mais rentáveis do País. (mais…)
STF pode garantir reajustes anuais ao funcionalismo
do blog do Josias de Souza – Blogs da Folha
Relator do processo, o ministro Marco Aurélio Mello reconheceu o direito do funcionalismo à reposição das perdas impostas pela inflação.
Disse que a correção monetária anual dos contracheques dos servidores públicos está prevista no inciso 10o do artigo 37 da Constituição. (mais…)
Brasil, sociedade privada
“Na minha incurável ingenuidade, fico imaginando se a difusão de tais idéias entre os jovens não seria capaz de provocar uma saudável rebelião contra os donos do poder, nesta república de fancaria.“
Por Fábio Konder Comparato - Conversa Afiada
Para dizer a verdade, o escândalo Palocci não passa, lamentavelmente, de um pequeno episódio em longuíssima série de privatizações da coisa pública.
Como não me canso de repetir, Frei Vicente do Salvador, pouco mais de um século após o início da colonização do Brasil, já advertia: “Nem um homem neste terra é repúblico, nem zela e trata do bem comum, senão cada um do bem particular”.
Mas o que é, afinal, uma República? Indispensável esclarecer o seu significado, pois, se não me engano, até mesmo o Procurador-Geral da própria o ignora, como se viu do parecer que exarou para o caso Palocci. (mais…)
Lançamento da revista Mouro na USP
Ato de Lançamento da Revista Marxista Mouro na USP

Por Lincoln Secco
Mouro, a mais jovem revista marxista brasileira atinge seu quinto número com o dossiê “Guerrilha Urbana”. Ao lado de um clássico inédito em português escrito pelo maior revolucionário do século XIX, Auguste Blanqui, apresenta-se ao leitor uma longa entrevista de antigos militantes da Revolução Brasileira: Francisco Mendes, Wilson do Nascimento Barbosa e Takao Amano debatem a experiência da ALN.
Takao Amano, aliás, será homenageado. Ele que não se limitou à intrépida crítica das armas. No exílio em Cuba, nos contatos e estudos internacionais, na volta ao Brasil como militante sindical e partidário, nunca esmoreceu e permanece como o radical que luta até o fim e até o fundo e que retoma continuamente os problemas pela raiz. Provisoriamente derrotado, ele não esmorece, desensarilha as armas e retorna à luta.
Nada mais importante para as novas gerações quando elas, diante de um futuro biologicamente manipulado, ecologicamente ameaçado e politicamente fascistizado, encontram nas gerações passadas as referencias para novos desafios.
As Revoluções árabes e as insurreições no sul da Europa são uma esperança para os jovens de hoje e de ontem.
É com esse espírito que se realizará o ato de lançamento da revista Mouro no anfiteatro de História da USP nesta sexta feira, 10 de junho, às 18h.
ALN em Debate, por seus antigos militantes
• Wilson do Nascimento Barbosa • Takao Amano
• José Luiz Del Roio • Cloves Castro • Artur Scavone
• Local: Anfiteatro de História da USP • Data: 10 de jun., sexta-feira, 18h
• Apoio: Cahis e Nephe-USP
Capitão da PM: “O estado de exceção virou regra”
O Neoliberalismo, a criminalidade violenta, a mídia e segurança pública
“Se o país não for prá cada um / Pode estar certo / Não vai ser prá nenhum…” (Samuel Rosa)
Por George Matos* via Viomundo
Sei que volta e meia o tema Segurança Pública retorna ao centro do debate político-midiático. Principalmente após o acontecimento de uma “tragédia” — aqui tomada não na concepção grega, como algo inevitável, a exemplo do Mito de Édipo, mas como algo de grande horror — de grande repercussão nacional, como foi o caso ocorrido na Escola Municipal Tasso da Silveira, no bairro de Realengo, na cidade do Rio de Janeiro, onde o jovem Wellington Oliveira, esquizofrênico, vítima de bullying na infância e adolescência, assassinou diversas crianças, quase todas do sexo feminino. (mais…)
Militarização do cotidiano
Mas o que fazer se estamos metidos num estado de exceção generalizado, quando os direitos existem mas não têm força para serem colocados em prática?
Por Silvio Mieli – Brasil de Fato
Enquanto nos preocupamos com os minutos de fama do Capitão Bolsonaro, em performances patéticas tão ao gosto da grande mídia, está em marcha (muitas vezes silenciosa) um processo bem mais complexo de militarização do nosso próprio cotidiano.
Existem as evoluções mais ruidosas e visíveis, exemplificadas pelos ataques selvagens da Polícia Militar à primeira Manifestação pela Liberdade de Expressão na Avenida Paulista. Ou, antes disso, os intensos debates em torno da entrada da polícia no Campus da Universidade de São Paulo, depois do assassinato brutal de um jovem aluno da Faculdade de Economia e Administração (FEA-USP). (mais…)
Espírito Santo: A repressão a estudantes da UFES
Do blog Viomundo
PM do Espírito Santo ataca campus da UFES
Prezados,
Sei que vocês devem estar se perguntando se isso é real ou apenas brincadeira. O fato é que o Batalhão de Missões Especiais da PMES reprimiu de forma absurdamente violenta uma manifestação pacífica de estudantes universitários na Avenida Fernando Ferrari na altura da Universidade Federal do Espírito Santo.
Os estudantes protestavam contra a repressão violenta a outra manifestação na manhã de hoje no centro da cidade (02/05/2011), esta contra recente aumento das passagens. (mais…)
USP e o retorno da universidade de elite
Por Marcelo Salles e Demian Alves Ribeiro
Não satisfeitos com a massificação do ensino universitário, as elites governantes de São Paulo resolvem retornar as suas origens ao implementar medidas mais restritivas para o acesso à Universidade de São Paulo . A divisão de classe precisa ser resgatada e se for preciso usar da força militar, que seja. As elites querem o lucro do mercado associado à pesquisa. Se a pesquisa for em benefício do povo mas não der retorno, ou seja, lucro, não deve e não pode ser feita. Aos trabalhadores, aos que vivem no andar de baixo e são maioria: EaD para formação de professores e mão de obra barata. Extensão para estes nem se fala. Enquanto isso os cursinhos sorriem abraçados com a industrial editorial de apostilas. Agora a notícia marcante é a da redução dos candidatos aprovados para a segunda fase, de três para dois, o que só exclui antecipadamente uma grande parcela de estudantes a pleitear uma vaga na lista de espera. Os poucos senhores que agora decidem fechar mais ainda a USP deveriam se envergonhar, mas nem rubros ficam. Embora financiada majoritariamente pelos que não estão na USP, esta Universidade vai ficando cada vez menos extensa e mais fechada, e assim a universidade pública universal vai se transformando em particular, privada.
UOL: USP muda regras da Fuvest e vestibular 2012 fica mais difícil :
O aumento no número de boas universidades não implica a piora daquelas que existem: implica mais opções para os melhores candidatos
Por Carlos Henrique de Brito Cruz e Renato Hyuda de Luna Pedrosa * via Folha de São Paulo
A Folha noticiou em 10 de março que 25% dos convocados em 1ª chamada na USP em 2011 não se matricularam, e buscou razões para tal. O jornal considerou esse dado tão fora do comum que mereceu a principal manchete da Primeira Página. (mais…)
A cada R$ 1 investido em transporte público, governo dá R$ 12 em incentivo para carro e moto
do R7.COM via Ipea
Estudo do Ipea atribui a essa relação de valores o aumento da frota particular no país
A cada R$ 12 gastos em incentivos ao transporte particular, o governo investe R$ 1 em transporte público. A constatação foi feita pelo Ipea (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas) no estudo sobre a mobilidade urbana no Brasil, divulgado na última quarta-feira (25). A pesquisa considera as três esferas de governo do país: municipal, estadual e federal. (mais…)
Professor em greve denuncia maquiagem tucana
A grande imprensa (Folha, Estado, Globo, Band e afins) prossegue brigando contra os fatos ou os ocultando em nome de interesses outros que o princípio básico do jornalismo que é informar. Assim, mais uma vez omitem um movimento grevista que coloca em cheque as políticas do PSDB para áreas sociais, com ênfase para educação. Veja mais na carta a seguir publicada no blog Viomundo:
Sou professor do Centro Paula Souza (Autarquia do Governo de SP).
Estamos em greve há quase um mês por conta do arrocho salarial ocorrido nos governos do PSDB em SP.
Existem vários motivos para justificar essa greve, mas o objetivo desse contato é tentar apagar esse silêncio da imprensa paulista em relação a este movimento e às Etec’s [Escola Técnica Estadual] de maneira geral. (mais…)
Política sans phrase
por Lincoln Secco
Uma das descobertas de Karl Marx é que a política se desenrola no palco da igualdade jurídica. Mas a esfera celestial do Direito vela o mundo terreno das desigualdades materiais.
Palco é a palavra certa para a política, esta representação alienada da vida como ela é. Daí porque Marx utiliza uma linguagem teatral em sua obra recém lançada pela Boitempo Editorial (O 18 de brumário de Luís Bonaparte). Ele se refere ao pano de fundo da cena, à caricatura, à tragédia, à farsa, à comédia parlamentar e até ao bufão. A cena oficial burguesa se opõe à intriga real dos bastidores. Ela é a frase. (mais…)
Freikorps na USP?
Por Demian Alves Ribeiro
Depois de ler na edição eletrônica do jornal O Estado de São Paulo que a “USP terá ‘pelotão universitário’ com policiais alunos”, fico incrédulo com esta medida de inspiração – sem nenhum exagero – fascista. A USP decidiu por formação de milícias? Ou seja, após o incêndio do parlamento, um passo além do bedéu, temos agora a nossa freikorps. Fico pensando em como funcionará essa milícia uspiana em caso de greve, especialmente em locais como a FEA? (mais…)
Correndo no ar
Por Vladimir Pinheiro Safatle via Folha de São Paulo
É possível que, em algum momento na história do Exército brasileiro, ter senso de humor tenha sido condição para integrar suas fileiras.
Era bom ter um tipo de humor típico dos desenhos animados em que a raposa persegue sua presa e acaba não percebendo que o chão acabou.
Ela continua correndo, mas no ar. Todos veem que seus movimentos são irreais, menos a raposa. Até o momento em que a farsa não tem como continuar e a raposa cai. (mais…)
Coletivo Zagaia entrevista Vladimir Safatle
“Cabe a nós identificarmos as portas que estão sendo abertas, ao invés de repetir o discurso de que não há mais portas a serem abertas”
Do coletivo Zagaia
Coletivo Zagaia (CZ): Pensamos em iniciar nossa entrevista, Vladimir, perguntando sobre sua trajetória, como você chegou, desde a formação em publicidade e filosofia e agora, ocupando espaço na mídia. Assim, um primeiro ponto interessante seria: como se deu a sua passagem da publicidade para a filosofia?
Vladimir Safatle (VS): Não teve passagem. Eu fui fazer publicidade para esconder que ia fazer filosofia. É um pouco como acontecia no começo do século XX: todo mundo ia fazer direito, quando queria fazer outra coisa. Quando eu entrei na faculdade, Collor havia ganhado, o muro de Berlim tinha caído e lembro-me da impressão de não ter muito por onde escapar. Então, como a minha família é de imigrantes, quando eu falei que eu ia fazer filosofia, todo mundo levou um susto. Diziam: “Não é possível! Vou ter que dar dinheiro para você a vida inteira!” Daí, inventei um outro curso. Na verdade eu escondi que fazia filosofia. (mais…)
“Ministério da Educação está sendo covarde”, afirma Jean Wyllys sobre suspensão do kit gay
por Camila Campanerut
UOL Notícias via Bol
Os vídeos do kit gay que causaram polêmica e levaram o governo a suspender o material já eram públicos e estariam aprovados, inclusive pelo MEC (Ministério da Educação), de acordo com o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ).
“O ministério da Educação está sendo covarde. Não pode chegar agora e pegar um material feito por entidades parceiras e dizer que acha que partes dele precisariam ser mudadas. É claro que está em jogo o Palocci. Ele [o ministro Fernando Haddad] foi obrigado a recuar” (mais…)
Polícia para quem Precisa
Por Alex Cosec
“Os burgueses fanáticos pela ordem são mortos a tiros nas sacadas de suas janelas por bandos de soldados embriagados, a santidade dos seus lares é profanada, e suas casas são bombardeadas como diversão em nome da propriedade, da família, da religião e da ordem“. (Karl Marx).
A recente tragédia que vitimou um jovem estudante no campus da USP no bairro do Butantã suscitou uma rápida reação da Reitoria: o policiamento preventivo e repressivo na Cidade Universitária.
A USP viveu outras tragédias, nem maiores e nem menores, já que a dor pela perda de um ser humano é irreparável. No início dos anos noventa houve um estupro no prédio de História da USP (não relatado à polícia por ter sido praticado por um estudante). Na mesma época, um velho conhecido dos alunos, dono de uma copiadora Xerox na Escola de Comunicações e Artes foi violentamente assassinado. (mais…)
Verissimo: “A internet botou todo o mundo na rua!”
A quem interessa
Por Luis Fernando Verissimo via O Estado de S.Paulo
Seguindo a velha regra que já ajudou a identificar tantos culpados, na ficção e na vida – pergunte sempre a quem mais interessa o crime – seria possível imaginar o próprio Sarkozy disfarçado de camareira entrando naquele quarto para tentar o Strauss-Kahn. Que, como se sabe, assedia sexualmente qualquer coisa com duas pernas. A ninguém aproveitou mais a desmoralização do provável candidato socialista à sua sucessão do que a Sarkozy. Mas as teorias conspiratórias sobre uma possível armadilha para o grande Kahn, que já eram improváveis, não resistiram às provas coletadas e não parece haver mais dúvidas (pelo menos no momento em que escrevo) de que a camareira foi forçada a fazer o que não queria, como tantos países emergentes constrangidos pelo FMI. E que o Sarkozy não estava por perto. (mais…)
A moda do reaça
Por Marcelo Rubens Paiva via OESP
Como comentou uma leitora, Natália, no post anterior:
Cara, acho tão engraçada essa mania das pessoas de falarem com orgulho que são “politicamente incorretas” quando dizem absurdos… o sujeito vem, fala um monte de merda e diz que faz isso porque é inteligente (é um livre pensador, não segue o pensamento burro e dirigido das massas, etc) e porque não liga de ser “politicamente incorreto” porque afinal esse é o certo, a sociedade de hoje que está deturpada.
Eu tinha pensado na mesma coisa.
O governador e o secretário municipal de segurança reconheceram que tanto a PM quanto a Guarda Municipal exageraram na repressão à MARCHA DA MACONHA, que virou MARCHA PELA LIBERDADE DE EXPRESSÃO.
Alckmin chegou a dizer que não compactua com a ação da PM na Marcha.
Mas muitos leitores e alguns blogueiros continuam achando que o certo mesmo era enfiar o cacete nos manifestantes.
PMs que tiraram a identificação, para baterem numa boa.
A onda agora é ser bem REAÇA.
Se é humorista, e uma piada ultrapassa o limite do bom gosto, diz ser adepto do ideal do politicamente incorreto.
Que babaca é fazer censura contra intolerância. (mais…)
Da falange hoplita à tropa de choque

Atacar defendendo é a essência do nascimento da forma de combate ocidental. A fileira cerrada de escudos originada na Grécia Antiga em combates de “recontro”, isto é, choques de grupo organizado contra grupo igualmente organizado, e depois de grupo organizado contra os “bárbaros”, aqueles que ainda conheciam apenas uma forma de combate ritualizado e desconheciam o massacre. De algum modo misterioso esta cena se repete nas avenidas da cidade em todos os atos e manifestações públicas.
Hoje como no passado mais remoto a Polícia Militar sabe da força descomunal que possui ante populares ou movimentos sociais desarmados em manifestação, mesmo assim não hesita em massacrar anonimamente, sem qualquer identificação, com o máximo de violência quem não pode sequer esboçar defesa.
Da falange hoplita à fileira da Tropa de Choque, onde ontem eram lanças e hoje são cacetetes batendo nos escudos, ainda ecoa o mesmo ruído,o de uma sociedade violentamente desigual no uso da força.




















