Depoimento de funcionária da limpeza da USP

Muitos professores e alunos se revoltam contra a revolta das funcionárias da limpeza que despontou em algumas das unidades da USP, após a empresa dar um calote horroroso em seus parcos salários. Nenhum destes quer saber se estes funcionários e funcionárias vão receber.

A reitoria quer empurrar a responsabilidade para a empresa. Esta empurrou para a faculdade e ninguém quer assumir quem vai pagar. Não querem aumento de salário, o que seria justo pois recebem pelo piso nacional e não estadual para prestação de serviço terceirizado, mas querem apenas receber o que trabalharam e não foi pago.

Terceirização serve pra isso, condições drásticas para um trabalho usual que muitos acham que qualquer um pode fazer, mas que ninguém faz, tomando o trabalho como inespecífico e cada trabalhador como substituível por qualquer outro. Na verdade todo trabalho tem especificidades e quando finalmente se adaptam são demitidas por empresas que usualmente tem aplicado calotes nos trabalhadores contingenciando recursos quando estão para finalizar seus contratos. Quando isto ocorre, haveria uma verba reservada para que se paguem os direitos trabalhistas, mas que a USP insiste em pagar para a empresa sem qualquer condicionamento ligado ao pagamento de salários, o que poderia caracterizar a USP como réu solidária.

Nunca se conseguiu até hoje pautar esta triste situação que acontece em cada fim de contrato com empresa terceirizada, que com seus vários intermediários, calotes e períodos entre o fim e início de um novo contrato, sempre se encerram previamente os serviços com um tipo de calote onde se fica sem a prestação de serviços como neste caso. Tal situação leva intermitentemente a contratar empresas em situação de emergência cobrando serviços mais caros e sem licitação, o que obviamente sai mais caro do que se fossem funcionários da USP recebendo o que lhes é devido e tendo direitos, como o direito de greve.

Direito de greve é quando um patrão ou administrador público ou empreendedor que realiza um serviço para o estado dá um calote e você faz algo para que este não te roube pelo trabalho realizado ou pelo direito trabalhista furtado, realizado pelo trabalhador, servidor, funcionário terceirizado ou não. Não é uma festa ao contrário do que os alunos e professores religiosamente anti-greve pensam, nem é agradável passar por tal situação de indisposição com os outros que também querem trabalhar, mas podem.

Diga não à essa exploração ridícula e veja por si mesmo o depoimento desta funcionária da limpeza sobre sua situação e de suas companheiras a respeito da luta que fazem para reconquistar seus direitos que muitos senhores que se acham superiores e evoluidos querem abstrair, abstraindo com isso a de quem realiza a separação da sujeito do caminho do pensamento.

Não é a toa que a pesquisa sobre invisibilidade social feita no departamento de psicologia social pelo Prof. Dr. José Moura incidiu sobre os funcionários da limpeza, quando bastou um aluno se disfarçar em um destes funcionários para desaparecer, e isto bem na frente de seus colegas e professores. Não pense neste momento sobre o lixo apenas, pense em quem tira o lixo de onde você fica, gente aliás que muitos de vocês conversavam e davam bom dia até ontem e que passam fome e necessidades diversas

Se você ainda não se convenceu, veja este emocionante  depoimento aqui

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