Archive for maio, 2011
Freikorps na USP?
Por Demian Alves Ribeiro
Depois de ler na edição eletrônica do jornal O Estado de São Paulo que a “USP terá ‘pelotão universitário’ com policiais alunos”, fico incrédulo com esta medida de inspiração – sem nenhum exagero – fascista. A USP decidiu por formação de milícias? Ou seja, após o incêndio do parlamento, um passo além do bedéu, temos agora a nossa freikorps. Fico pensando em como funcionará essa milícia uspiana em caso de greve, especialmente em locais como a FEA? (mais…)
Correndo no ar
Por Vladimir Pinheiro Safatle via Folha de São Paulo
É possível que, em algum momento na história do Exército brasileiro, ter senso de humor tenha sido condição para integrar suas fileiras.
Era bom ter um tipo de humor típico dos desenhos animados em que a raposa persegue sua presa e acaba não percebendo que o chão acabou.
Ela continua correndo, mas no ar. Todos veem que seus movimentos são irreais, menos a raposa. Até o momento em que a farsa não tem como continuar e a raposa cai. (mais…)
Coletivo Zagaia entrevista Vladimir Safatle
“Cabe a nós identificarmos as portas que estão sendo abertas, ao invés de repetir o discurso de que não há mais portas a serem abertas”
Do coletivo Zagaia
Coletivo Zagaia (CZ): Pensamos em iniciar nossa entrevista, Vladimir, perguntando sobre sua trajetória, como você chegou, desde a formação em publicidade e filosofia e agora, ocupando espaço na mídia. Assim, um primeiro ponto interessante seria: como se deu a sua passagem da publicidade para a filosofia?
Vladimir Safatle (VS): Não teve passagem. Eu fui fazer publicidade para esconder que ia fazer filosofia. É um pouco como acontecia no começo do século XX: todo mundo ia fazer direito, quando queria fazer outra coisa. Quando eu entrei na faculdade, Collor havia ganhado, o muro de Berlim tinha caído e lembro-me da impressão de não ter muito por onde escapar. Então, como a minha família é de imigrantes, quando eu falei que eu ia fazer filosofia, todo mundo levou um susto. Diziam: “Não é possível! Vou ter que dar dinheiro para você a vida inteira!” Daí, inventei um outro curso. Na verdade eu escondi que fazia filosofia. (mais…)
“Ministério da Educação está sendo covarde”, afirma Jean Wyllys sobre suspensão do kit gay
por Camila Campanerut
UOL Notícias via Bol
Os vídeos do kit gay que causaram polêmica e levaram o governo a suspender o material já eram públicos e estariam aprovados, inclusive pelo MEC (Ministério da Educação), de acordo com o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ).
“O ministério da Educação está sendo covarde. Não pode chegar agora e pegar um material feito por entidades parceiras e dizer que acha que partes dele precisariam ser mudadas. É claro que está em jogo o Palocci. Ele [o ministro Fernando Haddad] foi obrigado a recuar” (mais…)
Polícia para quem Precisa
Por Alex Cosec
“Os burgueses fanáticos pela ordem são mortos a tiros nas sacadas de suas janelas por bandos de soldados embriagados, a santidade dos seus lares é profanada, e suas casas são bombardeadas como diversão em nome da propriedade, da família, da religião e da ordem“. (Karl Marx).
A recente tragédia que vitimou um jovem estudante no campus da USP no bairro do Butantã suscitou uma rápida reação da Reitoria: o policiamento preventivo e repressivo na Cidade Universitária.
A USP viveu outras tragédias, nem maiores e nem menores, já que a dor pela perda de um ser humano é irreparável. No início dos anos noventa houve um estupro no prédio de História da USP (não relatado à polícia por ter sido praticado por um estudante). Na mesma época, um velho conhecido dos alunos, dono de uma copiadora Xerox na Escola de Comunicações e Artes foi violentamente assassinado. (mais…)
Verissimo: “A internet botou todo o mundo na rua!”
A quem interessa
Por Luis Fernando Verissimo via O Estado de S.Paulo
Seguindo a velha regra que já ajudou a identificar tantos culpados, na ficção e na vida – pergunte sempre a quem mais interessa o crime – seria possível imaginar o próprio Sarkozy disfarçado de camareira entrando naquele quarto para tentar o Strauss-Kahn. Que, como se sabe, assedia sexualmente qualquer coisa com duas pernas. A ninguém aproveitou mais a desmoralização do provável candidato socialista à sua sucessão do que a Sarkozy. Mas as teorias conspiratórias sobre uma possível armadilha para o grande Kahn, que já eram improváveis, não resistiram às provas coletadas e não parece haver mais dúvidas (pelo menos no momento em que escrevo) de que a camareira foi forçada a fazer o que não queria, como tantos países emergentes constrangidos pelo FMI. E que o Sarkozy não estava por perto. (mais…)
A moda do reaça
Por Marcelo Rubens Paiva via OESP
Como comentou uma leitora, Natália, no post anterior:
Cara, acho tão engraçada essa mania das pessoas de falarem com orgulho que são “politicamente incorretas” quando dizem absurdos… o sujeito vem, fala um monte de merda e diz que faz isso porque é inteligente (é um livre pensador, não segue o pensamento burro e dirigido das massas, etc) e porque não liga de ser “politicamente incorreto” porque afinal esse é o certo, a sociedade de hoje que está deturpada.
Eu tinha pensado na mesma coisa.
O governador e o secretário municipal de segurança reconheceram que tanto a PM quanto a Guarda Municipal exageraram na repressão à MARCHA DA MACONHA, que virou MARCHA PELA LIBERDADE DE EXPRESSÃO.
Alckmin chegou a dizer que não compactua com a ação da PM na Marcha.
Mas muitos leitores e alguns blogueiros continuam achando que o certo mesmo era enfiar o cacete nos manifestantes.
PMs que tiraram a identificação, para baterem numa boa.
A onda agora é ser bem REAÇA.
Se é humorista, e uma piada ultrapassa o limite do bom gosto, diz ser adepto do ideal do politicamente incorreto.
Que babaca é fazer censura contra intolerância. (mais…)
Da falange hoplita à tropa de choque

Atacar defendendo é a essência do nascimento da forma de combate ocidental. A fileira cerrada de escudos originada na Grécia Antiga em combates de “recontro”, isto é, choques de grupo organizado contra grupo igualmente organizado, e depois de grupo organizado contra os “bárbaros”, aqueles que ainda conheciam apenas uma forma de combate ritualizado e desconheciam o massacre. De algum modo misterioso esta cena se repete nas avenidas da cidade em todos os atos e manifestações públicas.
Hoje como no passado mais remoto a Polícia Militar sabe da força descomunal que possui ante populares ou movimentos sociais desarmados em manifestação, mesmo assim não hesita em massacrar anonimamente, sem qualquer identificação, com o máximo de violência quem não pode sequer esboçar defesa.
Da falange hoplita à fileira da Tropa de Choque, onde ontem eram lanças e hoje são cacetetes batendo nos escudos, ainda ecoa o mesmo ruído,o de uma sociedade violentamente desigual no uso da força.
Vladimir Safatle: Grito sem voz
Por Vladimir Safatle via Folha de São Paulo
Desde o dia 15 de maio, as praças nas cidades espanholas foram tomadas por jovens manifestantes. As imagens parecem evocar as megamanifestações egípcias na praça Tahrir, com seus acampamentos e sua insistência.
As exigências não são muito diferentes: revolta contra um processo econômico de pauperização social e concentração de riquezas, exigência de uma reinvenção democrática que nos leve para além dos limites da democracia liberal com (no caso espanhol) o velho sistema de dois partidos que se alternam no poder: o da direita descomplexada e o da esquerda envergonhada. (mais…)
Nota do Centro Acadêmico Iara Iavelberg (Faculdade de Psicologia) sobre o assassinato do estudante da FEA
Gostaríamos inicialmente de nos solidarizar a todos e todas que sofrem a dor dessa perda, bem como a todos que convivem no espaço da FEA, que foi violentamente invadido e modificado. A morte de um jovem é sempre uma tragédia. Uma vida interrompida nos causa muita dor e tristeza.
Nesse sentimento de solidariedade nos dispomos a pensar junto sobre qual o caminho a ser trilhado agora, depois de tamanho susto. É preciso que nos debrucemos com a profundidade necessária sobre esse assunto, bem como, que nos organizemos para evitar mais acontecimentos como esse. (mais…)
Para os jovens, de um jovem
Por Yussef Kálós
O ano de 2011 trouxe à tona instigantes demonstrações de resistência ao atual estado das coisas: um acirramento das contradições: revolução nos conservadores países árabes; luta pelo transporte público de qualidade; legalização da união homo-afetiva; churrascão classista etc. – em oposição: manifestações públicas descaradas de conservadorismo moral e político; repressão brutal aos jovens; endireitamento dos governos europeus etc. (mais…)
Abuso e retrocesso na Paulista
É esta polícia que querem na USP, em vez de segurança traz o medo da perda de direitos como a liberdade de expressão.
Abuso e retrocesso na Paulista
Repressão à marcha pela liberdade de expressão resulta em ação da PM com nível de violência e brutalidade como há muito não se via
Por Paula Miraglia, colunista do iG
Recentemente o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, fez criticas à resistência à presença da Polícia Militar na Cidade Universitária. “Isso é um resquício do período autoritário”, “Estamos vivendo outro momento”, disse. Enfatizou, ainda, que associar segurança pública à repressão é algo superado.
Concordo com o governador. Segurança deveria ser, acima de tudo, sinônimo de liberdade e a polícia um instrumento para garanti-la. Mas convido Alckmin a assistir às imagens ou a escutar os manifestantes que estiveram na Paulista no último sábado. Eles têm uma outra história para contar. (mais…)
Peraí! Quem está controlando os protestos de rua?
Por Leonardo Sakamoto via Blog do Sakamoto
Muitos representantes políticos não entendem como manifestações que recentemente ocorreram pelo país e pelo mundo não foram organizadas por partidos e associações políticas, mas sim em um processo descentralizado. Que brotou espontaneamente a partir da insatisfação popular tanto à persistência de problemas existentes quanto aos tipos de soluções que vêm sendo dadas pelos representantes políticos a esses problemas. (mais…)












