Fernando Haddad ganha nova chance como ministro após a crise do Sisu

A presidente Dilma Rousseff exigiu que o ministro da Educação, Fernando Haddad, tomasse atitudes em relação às falhas do MEC. Cúpula do MEC caiu depois de sucessivos erros com o Enem e o Sisu nos últimos anos

Letícia Casado, Mariana Londres – R7.com – (4.fev.2011)

Após três meses de erros com o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) desde a aplicação da prova, nos dias 6 e 7 de novembro de 2010, e, mais recentemente, com o Sisu (Sistema de Seleção Unificada), a insatisfação com as falhas do MEC (Ministério da Educação) ultrapassou os milhões de estudantes inscritos e bateu em Brasília, na porta do gabinete da presidente Dilma Rousseff.

A presidente teria ficado irritada com os rumos que o Sisu tomou. A grande quantidade de ações judiciais, as reportagens negativas e reclamações sobre o sistema a fizeram tomar atitudes, e Dilma convocou o ministro da Educação, Fernando Haddad, para uma reunião, no dia 21 de janeiro.

A situação do ministro se agravou com boatos, que circularam em Brasília, de que ele poderia ser um dos primeiros a deixar o governo. De acordo com fonte do Palácio do Planalto ouvida pelo R7, “até as cadeiras do Palácio sabiam da insatisfação de Dilma com episódios recentes do Ministério da Educação”.

No entanto, Haddad permaneceu no cargo, tendo recebido uma “nova chance” à frente da pasta, que ocupa desde julho de 2005. Ele teria o apoio do PT para continuar como ministro, além de ser considerado um especialista preparado por Dilma. Haddad é respeitado pela presidente, que “reconhece o seu alto nível técnico”, segundo a mesma fonte.

O ministro também tem apoio de reitores e professores de universidades públicas (notadamente a USP – Universidade de São Paulo) e de particulares, além de intelectuais do PT. Além disso, ele foi secretário-executivo de seu antecessor, Tarso Genro, e por isso conhece bem o funcionamento do MEC, o que contaria pontos com a presidente.

Posse
Muita gente se perguntou por que Haddad ainda fazia parte do primeiro escalão do governo federal em 1º de janeiro de 2011, quando Dilma tomou posse. Apesar de ter o apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, especulava-se que ele seria um dos ministros a deixar o cargo, para que o posto fosse assumido por alguém do PT ou PMDB, principais partidos da base da nova presidente.

Segundo uma fonte ligada ao primeiro escalão do governo, a avaliação do Planalto é de que Haddad teria reagido bem aos problemas do Sisu ocorridos na segunda semana de janeiro – estopim para a insatisfação de Dilma. O ministro trocou toda a cúpula do MEC e cancelou as férias que estavam programadas desde o ano passado, entre os dias 20 e 30 de janeiro.

Assim, apesar da dita “insatisfação” de Dilma em relação a Haddad, o ministro teria conseguido firmar-se no cargo – principalmente se não houver outro escândalo.

A crise no MEC

No cargo desde julho de 2005, a gestão de Haddad foi marcada pelo fortalecimento de políticas públicas educacionais, como o Enem, o Sisu e o ProUni (Programa Universidade para Todos).

Os dois últimos programas usam como base a nota do Enem para fazer a seleção dos candidatos para as universidades. Todos estão sob o comando do principal órgão do MEC, o Inep (Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais).

Aplicado uma vez por ano, o Enem ganhou peso nos noticiários nacionais nos últimos dois anos não apenas por sua importância ao unificar os vestibulares, mas principalmente pelos problemas que enfrentou. Em 2009, um grupo conseguiu furtar um caderno de questões da prova de dentro da gráfica e tentou vendê-lo.

Quando o caso veio à tona, o exame, que seria aplicado em outubro de 2009, foi cancelado e remarcado. A confusão prejudicou milhões de estudantes. Ninguém do MEC foi demitido, e a gráfica que imprimiu o material assumiu a culpa pela falha de segurança no ambiente.

Em 2010, pelo segundo ano consecutivo, o Enem teve problemas. Primeiro, em agosto, os dados de 12 milhões de inscritos entre 2007 e 2009 vazaram na internet.

Em novembro, durante a aplicação do exame, uma “surpresa”: todos as folhas de respostas das provas estavam com erro de impressão. Descobriu-se então que um arquivo com erros foi enviado para a gráfica que imprimiu as provas.

Na mesma época, a Polícia Federal confirmou um caso, isolado, de vazamento do tema da redação do exame. A equipe do MEC continuava intacta.

Em entrevista coletiva concedida no final de 2010 para explicar os problemas do Enem, Haddad foi indagado por uma repórter sobre quais “dicas” ele daria para “o próximo ministro”. A pergunta não deve ter soado tão absurda, pois ele respondeu com tranquilidade.

– Dispensar o cabeçalho da folha de respostas. Vou pensar em outros.

Demissões
Como se não bastassem os problemas com o Enem, o sistema do Sisu ficou sobrecarregado quando as inscrições abriram, em janeiro de 2011, e os dados dos estudantes foram expostos. Parte da culpa foi atribuída a “erro humano”.

Desta vez, o ministro mostrou-se firme, e o presidente do Inep, Joaquim Soares Neto, foi exonerado do cargo, segundo portaria publicada no Diário Oficial da União – a explicação dada para a imprensa foi de que ele teria pedido demissão por “razões pessoais”.

A “reestruturação” anunciada pelo MEC afetou secretarias importantes – inclusive aquelas cujos ocupantes tinham mais do que credenciais técnicas. A substituição de Maria Paula Dallari Bucci no comando da Secretaria de Ensino Superior, uma especialista respeitada e mulher de Eugênio Bucci – amigo de Haddad dos tempos de estudante da USP – é um indicativo de que a renovação foi para valer. No lugar dela, assumiu Luiz Carlos Costa, reitor da UFV (Universidade Federal de Viçosa).

Além deles, deixaram a linha de frente do MEC os secretários de Educação a Distância, Carlos Eduardo Bielschowsky, e o de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, André Lázaro. O coordenador da diretoria de tecnologia da informação, Cláudio Crossetti Dutra, também foi demitido, segundo o Diário Oficial da União do dia 21 de janeiro.

 

[Fonte: R7.com]

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