Professores de criança se formam mais a distância

Pela primeira vez, modalidade capacitou a maior parte dos docentes da creche ao 5º ano do ensino fundamental.  Dados de 2009 mostram avanço sobre cursos presenciais, que, no entanto, continuam fortes em outros níveis

Angela PinhoFolha de São Paulo (4.fev.2011)

Polêmica entre especialistas, a educação a distância cresceu e hoje forma a maior parte dos futuros professores que darão aulas da creche ao quinto ano do ensino fundamental (antigo primário). Em 2002, o ensino presencial formava 98% dos estudantes graduados nas áreas de pedagogia, Normal Superior e em cursos específicos de formação para a educação infantil e anos iniciais do fundamental. Em 2009, ano do mais recente censo da educação superior, a situação se inverteu, mostrando que 55% dos formados vieram de cursos da modalidade a distância.

Um estudo do Inep (instituto ligado ao Ministério da Educação) feito com dados dos formandos de 2005 apontou que os alunos que saíam de cursos de pedagogia presenciais se saíam melhor do que os colegas do a distância no Enade, exame para universitários. O ministro Fernando Haddad afirma que o governo está preocupado com o alto número de formandos nesse tipo de curso. “Sempre que possível, o ensino presencial deve ser a prioridade”, disse à Folha, com a ressalva de que nem sempre o aluno tem tempo ou um curso presencial à disposição na cidade. Ele afirma que o MEC tomou duas medidas para impedir um crescimento desordenado da área: aumentou a fiscalização e restringiu o Fies (programa de financiamento estudantil) à modalidade presencial.

POLÊMICA
Para Regina de Assis, professora aposentada da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e consultora, a educação a distância só deveria ser adotada em localidades muito remotas.
Ela argumenta que o ensino presencial permite um atendimento mais  individualizado, com estrutura de ensino menos padronizada. “Nada substitui a interlocução do aluno no momento em que surge a dúvida”, afirma a professora.  Para Francisco Botelho, do comitê científico da Abed (Associação Brasileira de Educação a Distância), as críticas refletem um “preconceito” contra a modalidade. “Há condições de garantir qualidade em qualquer modalidade de ensino”, diz, argumentando também que muitas vezes há mais discussões nos fóruns das salas de aula virtuais, uma vez que não há limite de tempo. Ele também ressalta a dificuldade de deslocamento nas grandes cidades.  Ao contrário do que ocorre com a pedagogia, na formação de professores  de matérias específicas como física e matemática, que dão aula no ensino médio e nos anos finais do fundamental (6º ao 9º), o ensino presencial ainda é mais forte.

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