“Carta à sociedade” dos funcionários do prédio da Antiga Reitoria da USP

Carta à sociedade

Esta carta é o resultado do profundo sentimento de indignação que toma conta dos trabalhadores do prédio da Antiga Reitoria da USP diante das medidas autoritárias do reitor João Grandino Rodas. A pretexto de modernizar a Universidade e torná-la mais eficiente, funcionários são despejados de seus locais de trabalho sem o menor respeito por seus direitos e singularidades.

Desde o início de seu mandato o reitor deixou manifesto seu interesse em mover a Reitoria da Universidade para sua antiga sede, que há muitos anos abriga vários órgãos da USP, como Coordenadoria de Comunicação Social (CCS), Editora da USP (Edusp),  Instituto de Estudos Avançados (IEA), Sistema Integrado de Bibliotecas (SIBI),  Agência USP de Inovação, entre outros. E agora, sem diálogo com os servidores, inicia a remoção de boa parte desses setores para imóveis alugados fora da própria Cidade Universitária.

Nessa medida autoritária o senhor João Grandino Rodas ignora fatores de âmbito pessoal e financeiro. Desconsidera que muitos funcionários, como acontece em toda parte e não apenas na USP, organizam suas vidas em função de seus empregos e, muitas vezes às custas de muito sacrifício, estabelecem suas moradias em localidades próximas do trabalho. Com a remoção desses setores para fora do Campus – e no caso da TV USP e Rádio USP estuda-se a transferência para instalações da TV Cultura, no bairro da Água Branca – a rotina de vários desses servidores será profundamente alterada, com mais horas gastas no trânsito, mais desgastes físico e emocional, principalmente para aqueles trabalhadores que viajam nos ônibus superlotados da nossa cidade e, consequentemente, piora nas condições de trabalho e queda na produtividade.

Se esses motivos por si só não bastassem temos ainda prejuízos financeiros para a Universidade. Estima-se que o aluguel de um dos imóveis que abrigará as seções removidas será de 48 mil reais mensais e só os custos de transporte de equipamentos para essa sede provisória girará em torno de 40 mil. Também será necessário pagar vale alimentação a todos os funcionários remanejados para fora do Campus, sendo que antes estes faziam suas refeições nos restaurantes universitários. Além disso, as mídias da Coordenadoria de Comunicação Social, cujas principais fontes são os próprios docentes e pesquisadores da Cidade Universitária – que congrega 20 das 42 unidades da USP – terão seus gastos com transporte aumentados drasticamente, além de perderem tempo no trânsito. Isso sem falar da incoerência em se transferir a Rádio USP, cujas reforma e modernização foram realizadas há pouco mais de dois anos.

Ainda mais. Nesse processo, os estagiários dos órgãos hoje sediados no prédio da Antiga Reitoria também serão prejudicados, inclusive em seus estudos. Terão que se deslocar para um lugar externo à Cidade Universitária a fim de estagiar e depois deverão retornar ao Campus, enfrentando o desgaste do trânsito paulistano, perdendo tempo que poderia ser dedicado às atividades acadêmicas ou esportivas e culturais da própria Universidade.

O reitor promete novas instalações dentro da USP para os órgãos removidos, mas fica a pergunta: por que uma gestão tão comprometida com a eficiência não constrói esses prédios com os funcionários ainda em seus antigos locais de trabalho, evitando assim gastos com transporte de equipamentos, aluguéis e adaptações espaciais?

Por todos os motivos apresentados acima, e reiterando o sentimento de indignação pelo forma autoritária como essas medidas vêm sendo tomadas, nós, servidores sediados na Antiga Reitoria, repudiamos a transferência de nossos setores para fora do Campus e exigimos a permanência dentro da Cidade Universitária.

Trabalhadores do prédio da Antiga Reitoria da USP

São Paulo, 11 de fevereiro de 2011

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7 comentários
  1. c disse:

    Tanto dinheiro gasto em reformas desnecessárias em um prédio que será ocupado por ele e sua comitiva, e nada investido na modernização de instalações e equipamentos direcionados à modernização do ensino. Alguém deveria investigar esses desmandos

  2. lucinha disse:

    com tanto espaço dentro da usp, vão alugar prédios fora dela? que desperdício de dinheiro público.

  3. John disse:

    Tudo isso porque o maluco quer ter a vista do sexto andar… Esse REItor é elevou ao cúmulo do ridículo a manifestação do poder despótico. É nosso Luis XVI.

  4. mila disse:

    Realmente não parece lógico. Vamos divulgar para tentar conter esse processo e fortalecer o campus da USP.

  5. Alex disse:

    Esse reitor e suas novas medias mais parecem aqueles funcionários recém-contratados e que querem mostrar serviço, que acabam se metendo em todos os setores na qual não entendem nada do fluxo de trabalho, mas faz questão de colocar seu nome em evidência. É sempre igual, mas na maioria das vezes eles quebram a cara .
    alex

    • Gisiley disse:

      Um governo privatista e ditador como o do PSDB, pois escolheu o terceiro nome da lista dos reitores mais votados na USP, para ocupar o cargo de reitor, só poderíamos esperar isso. Em nome da eficiência e da economia este é um governo que mais gasta o dinheiro público e o povo não nota, não se dá conta disso. Bem o vídeo do Serra calculando errado o exercício de matemática já demonstra que os políticos do PSDB não sabem nada de administração financeira. Paulistas e paulistanos abram os olhos e exijam avaliação meritocrática para os políticos que se candidatam a qualquer cargo! Chega de tanta safadeza.

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