Carta aberta do Movimento Passe Livre

No último sábado – 12 de fevereiro – nós do Movimento Passe Livre estivemos, junto a outras organizações, presentes na câmara dos vereadores em uma audiência pública com o Secretário Municipal de Transportes Marcelo Branco, para debater o aumento da passagem de ônibus.

Esta audiência foi marcada graças as mobilizações que fizemos nas ruas nas ultimas semanas. Os argumentos e as informações apresentadas durante o debate apontaram para a falta de comprovação técnica para o aumento da tarifa, planilhas de custos do sistema de transporte insuficientes para análise contábil, seguida de clara falta de investimento na qualidade do transporte, e uma concepção de transporte que não o encara como um direito social. Estes motivos nos levaram a exigir a abertura de negociação com o Poder Executivo.

Em resposta, o Secretário de Transportes disse que poderia encaminhar um projeto para aumentar o desconto aos estudantes. Não sendo este o tema da Audiência Pública, exigimos novamente a abertura das negociações com o poder Executivo. Neste momento a sessão foi dada como encerrada e o Secretário se retirou as pressas da Câmara dos Vereadores.

Não aceitamos o final abrupto da sessão, sem o comprometimento do Secretário em abrir a negociação. Por isso pressionamos o presidente da Câmara dos Vereadores, Pólice Neto, dizendo que só sairíamos dalí quando uma reunião de negociação com o Poder executivo, a Câmara dos Vereadores e o movimento fosse garantida. Após muita pressão, ela foi concedida, e acontecerá até quinta-feira 12h.

Estaremos presente nessa negociação e por isso acreditamos ser necessário explicitar nossas posturas e concepções para esta reunião.

Para nós todo e qualquer aumento de passagem significa aumento da exclusão, cada vez que a tarifa sobe mais pessoas são excluídas do sistema de transporte por não terem meios de pagar por ele. Os aumentos evidenciam a lógica que nosso transporte é gerido, voltado para os interesses dos empresários, não sendo tratado como um direito social de todo população.

Por acreditarmos que o transporte é um direito, não aceitamos nenhum aumento.

Aproveitaremos o espaço aberto pelo Poder Público para pressioná-lo a revogar o aumento de passagem e não iremos negociar nada além disto. Não trocaremos a reivindicação da reversão do aumento por qualquer migalha que possa ser dada pelo executivo. Afinal, é por esta reivindicação que milhares de pessoas saíram às ruas e não nos cabe aceitar nada menos do que isso.

Somos um movimento independende, apartidário e horizontal e não nos reivindicamos representantes das milhares de pessoas que estão protestando nestas últimas semanas. Acreditamos na auto-organização popular e na concepção de que a política se faz nas ruas, por todos, de forma horizontal, sem lideranças. É por isso que nessa reunião daremos ao poder público o recado das manifestações: não aceitamos nenhum aumento de passagem e nos manteremos nas ruas até revogar o aumento. Não aceitaremos nada menos que isso

A política se faz nas ruas:

ATO QUINTA FEIRA AGORA 17/02
17h00, em Frente a Prefeitura (Rua Líbero Badaró, 280)

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