Demissões dos funcionários da USP nas férias cria clima de apreensão

Desirèe Luise – do Portal do Aprendiz (11.fev.2011)

Mais de um mês após ocorrer a demissão de 259 funcionários celetistas aposentados da Universidade de São Paulo (USP), o clima é de apreensão entre os trabalhadores. A observação foi feita pela diretora da Faculdade de Educação, professora Lisete Arelaro. “Há certo pânico que tem atrapalhado, porque outros servidores acham que podem estar numa possível lista, criando uma situação de instabilidade”, diz.

Inicialmente, houve anúncio de 271 demissões. No entanto, a universidade voltou atrás em alguns casos, reduzindo o número para 259, por constatar que alguns funcionários não estariam na mesma condição que os demais.

Na Faculdade de Educação, foram demitidos quatro servidores, um deles professor. “Fui surpreendida com isso. No dia 3 de janeiro, soube que perderia parte da minha equipe no dia seguinte”, disse Lisete.

A forma como os desligamentos aconteceram causou estranhamento em departamentos da universidade, consequentemente o clima de instabilidade. “Estranhamos, porque demitir sem avaliação de desempenho, já que falamos tanto de avaliação de mérito na própria USP, é uma extravagância. Tenho 30 anos aqui e nunca vi isso”, completa.

Para o professor emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, Francisco de Oliveira, os funcionários demitidos foram desrespeitados. “Pela legislação do trabalho, não se pode demitir em massa sem negociação com o sindicato e não houve essa conversa”.

Os que procuraram o Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) já estão com ações encaminhadas na Justiça do Trabalho. Cerca de 90 pessoas pedem a reintegração ao quadro de funcionários da universidade e ressarcimento por danos morais.

Comunicados contendo pronunciamento do diretor do Departamento de Recursos Humanos (DRH) da USP, professor Joel Dutra, têm reiterado que mais demissões não acontecerão. A diretora Lisete diz ter recebido pelo menos cinco e-mails afirmando que outras listas de funcionários não vão sair.

Já o professor Oliveira acredita que se for do interesse da universidade, não hesitarão em mandar embora mais pessoas. “A Adusp [Associação dos Docentes da Universidade de São Paulo] está mais desmobilizada, mas o Sintusp tornou-se referência de atitude republicana e há tentativa de intimidá-lo”, completa.

Segundo Oliveira, a USP tem tomado atitudes que revelam posição antidemocrática. “Embora tenha conselhos, é figurativo. O Conselho Universitário não se pronunciou sobre as demissões. Há representação de funcionários e estudantes no conselho, mas 90% são de docentes ligados à ala conservadora”, acredita.

“A administração se viu na contingência de se posicionar diante da escalada de aposentadoria voluntária, seguida de permanência: quase 10% do quadro já é composto por funcionários aposentados e, em três anos, o índice chegaria a 25%”, afirmou em comunicado, o professor Dutra.

Logo após as demissões, a universidade informou que seriam contratados funcionários para os cargos vagos. Segundo a assessoria de imprensa da USP, ainda não há informações sobre o assunto, porque o processo de contratação não é tão rápido. Há necessidade de publicar editais e realizar provas.

O Portal Aprendiz solicitou entrevista com o diretor do DRH da USP, Joel Dutra, para esclarecimentos. A assessoria informou que Dutra está em compromissos externos e não poderia atender ao pedido.

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