A modernização cosmética da USP

“[…] há um ano solicitei, pessoalmente, a dirigente de importante e necessitada Unidade que informasse o que necessitava em termos de estrutura. Apesar de minha reiteração, até o momento a resposta é que estão resolvendo o que precisam!” – João Grandino Rodas

É assim que termina o artigo do reitor João Grandino Rodas, (“Campus de cara nova”), defendendo suas ações de modernização da USP.

Ora, um reitor que precisa vir a público reclamar que seus colegas não respondem à demanda que a direção faz, não está devidamente instalado na sua cadeira. Modernizar as instalações da USP é uma inegável necessidade, principalmente se o propósito estiver referenciado em um projeto de avanço do papel da Universidade na sociedade. O projeto de modernização do reitor Rodas é uma caixa preta, porque está desconectado da comunidade uspiana. É ele que afirma essa desconexão. Mais ainda, está desconectado da sociedade. Representantes da comunidade se pronunciam: “Havia outras prioridades. Parece que o reitor escolheu obras que brilham mais”, afirma Aníbal Cavali, do sindicato dos funcionários (FSP, 15.fev.2011). “Não devem faltar verbas. O problema é a falta de diálogo para definir como gastá-las”, diz João Zanetic, representante dos docentes (FSP, 15.fev.2011).

Essa falta de diálogo* que marca a atual gestão, mostra que a modernização pretendida está mais para cosmética predial que modernização do projeto educacional, já que é a grande prioridade da Reitoria. Por outro lado, uma mudança nos espaços, não é simplesmente uma mudança nos espaços, ela traz consigo consequências, que no caso da USP são ignoradas, face à postura unilateral do reitor Rodas, que tem optado por agir sem consultar a comunidade universitária e os diretamente envolvidos pelas reformas. Ademais, no projeto de reformulação de espaços do magnífico algumas áreas serão ou já foram afetadas, sendo que não se diz se elas poderão existir noutro local ou  retornarão à origem após as reformas, por exemplo, espaços como Canil, Núcleo de Consciência Negra, Sintusp etc.

O senhor Rodas tirou do bolso do colete uma modernização que pretende garantir à sua gestão a marca da modernidade. Um cirurgia plástica, talvez? É assim que a atual direção da USP pretende investir R$ 240 milhões (segundo o artigo, a previsão de conclusão é em quatro anos, a um custo aproximado de R$ 60 milhões a cada ano)? Vamos tirar as rugas da USP. E continuamos com R$ 15 milhões para investir em bolsas e apoio aos alunos. Então esta é a ideia de modernização? Lembremos que o reitor Rodas não foi eleito exatamente para fazer o que está fazendo, ao menos não constava de sua campanha… aliás, nem eleito ele foi. Rodas é pessoa de pouco talento, sendo mais fruto de um estatuto defasado, de uma estrutura de poder concentradora, do apadrinhamento de Celso Lafer e afins, e da escolha unilateral do ex-governador José Serra, cujo currículo recente depõe contra seus aliados. Assim, a escolha do senhor Rodas deu-se duplamente pela minoria, ou seja, temos um duplo problema de legitimidade sobre o manto do reitor, mas ele parece não se importar. Fica a pergunta: até quando Rodas poderá fazer o que bem entende?

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