Caixa extra faz USP, Unesp e Unicamp reformarem campi

Fábio Takahashi – da Folha de São Paulo (26.fev.2011)

No começo da década passada, a escassez de verbas fez a Unesp reduzir a iluminação de unidades; a Unicamp, a usar reserva orçamentária para pagar salários; e a USP, a atrasar dívidas para garantir a folha de pagamento.

Agora, a penúria passou. Beneficiadas pelo aumento da arrecadação estadual nos últimos anos, sua principal fonte de recursos, as universidades estaduais paulistas começaram projetos que incluem grandes reformas de campi e contratações.

Na instituição de Campinas, o pacote de obras está na casa dos R$ 150 milhões, com prazo de entrega para 2013. O dinheiro é equivalente ao que o Estado gastará neste ano com transporte de 405 mil alunos do ensino básico.

Estão previstas a construção de biblioteca para obras raras, de teatro-escola e outros. E devem ser contratados em 2011 cem professores (hoje são 8.000), para repor aposentadorias e atender ao aumento das matrículas.

O montante de recursos enviado pelo Estado chega a surpreender a universidade. A construção de laboratório de ponta na área de biologia, por exemplo, previa duas etapas de obras, de R$ 5,5 milhões e R$ 9,5 milhões.

‘Não esperávamos que viesse tudo de uma vez, finalizamos apenas o primeiro projeto. E veio tudo’, afirma o pró-reitor de desenvolvimento universitário, Paulo Eduardo Rodrigues da Silva. O valor extra será aplicado, e o dinheiro que render servirá para ampliar as instalações.

A escola utiliza também verbas de agências de fomento como Finep e Fapesp.

ORÇAMENTO DE BH

Entre as líderes do país em pesquisa e com mais de cem mil graduandos, as três escolas dependem diretamente da arrecadação estadual (ganham 9,57% do ICMS).

Com o aquecimento da economia, só entre 2010 e 2011, a verba para elas deve subir perto de 20%, passando dos R$ 7,5 bilhões, equivalente ao Orçamento da Prefeitura de Belo Horizonte.

Na Unesp, a prioridade será contratar 900 docentes em quatro anos, após perder 500 (aposentadorias e exonerações) e aumentar em 33% o número de vagas no vestibular em dez anos. ‘O momento é favorável. Houve períodos em que nem recebíamos o esperado’, diz o reitor em exercício, Julio Cezar Durigan. Também haverá obras.

Já a USP, conforme a Folha informou neste mês, fará a primeira remodelação da Cidade Universitária, ao custo de R$ 60 milhões.

Os sindicatos reclamam que não há discussão interna para definir o destino das verbas. ‘Há cerca de dois anos, quando o Orçamento deu um salto, os reitores quebraram o histórico de diálogo para definir as prioridades’, diz João Raimundo de Souza, um dos representantes dos funcionários da Unicamp.

‘Claro que, após a expansão, é importante contratar docente e fazer melhorias na infraestrutura. Mas deveria haver aumento proporcional no salário’, afirma Alberto de Souza, dos representantes dos funcionários da Unesp.

 

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