Ação do reitor da USP não visa aprimoramento do serviço público, mas mero revanchismo, afirma funcionária da USP

João Grandino Rodas, reitor da USP: gestão autocrática e controversa

Segue carta de funcionária da USP encaminhada ao deputado Carlos Gianazzi, que por sua vez solicitou sua publicação no Diário Oficial do Estado, o que veio a ocorrer na edição de 2 de março de 2011, página 24, do Caderno Legislativo.

Nesta carta é colocado ponto de vista sobre a atual gestão de João Grandino Rodas, com destaque para suas atitudes revanchistas em relação ao Sintusp, com menções a forma arbitrária e autoritária que o Reitor Rodas vem conduzindo a administração central da USP.

“SOU FUNCIONÁRIA da Universidade de São Paulo. Por meio da publicação do DOESP do dia 08/02/2011 tomei ciência da sua convocação do reitor João Grandino Rodas a fim de que explique as suas polêmicas atitudes na administração da USP.

No DOESP de hoje, 16/02/2011, vi que haverá logo mais uma Reunião Ordinária para apreciar, dentre outras, a pauta levantada pelo senhor. Por isso, gostaria que o Sr., bem como os demais membros da Comissão de Educação, tomasse conhecimento dos

últimos fatos que vêm ocorrendo na Reitoria da USP, unidade na qual trabalho, a fim de que outros pontos também sejam questionados ao Reitor.

No mês de novembro de 2010, houve o anúncio oficial da transferência da Procuradoria Geral (antiga Consultoria Jurídica) do atual prédio da Reitoria na Cidade Universitária Armando de Salles Oliveira, no Butantã, para um edifício (supostamente cedido pelo Banco do Brasil) na Rua XV de Novembro, no centro da cidade. A motivação, conforme foi dito aos funcionários, seria para facilitar o acesso aos fóruns e a outros órgãos do judiciário. Por causa das dificuldades de acesso ao centro (e da falta de estacionamento), foi dito também que haveria um transporte da universidade que buscaria os funcionários na Cidade Universitária e os levaria de volta no fim do expediente.

No entanto, tal transporte nunca existiu e as condições de trabalho de quem lá se encontra não são boas.

Após tal transferência, começaram a circular comentários de que os demais departamentos que compõem a Reitoria também seriam transferidos para outros locais fora da Cidade Universitária, o que desde então vem causando preocupação e

angústia a todo o quadro funcional, pois a maioria dos que aqui trabalham têm sua rotina vinculada ao campus: residem na região, possuem filhos na Escola de Aplicação, fazem tratamento no Hospital Universitário ou na clínica odontológica, estudam nas faculdades (como é o meu caso), entre tantas outras questões. Além disso, a transferência para fora do campus representa uma perda de qualidade de vida para os funcionários não apenas por conta da locomoção, pois, como sabemos, a cidade tem sérios problemas de transporte e trâns ito, mas também porque teriam dificuldade de acesso a algumas vantagens da comunidade USP, como fazer cursos de línguas estrangeiras e outras atividades culturais e artísticas da Extensão Universitária e atividades físicas no Centro Esportivo.

Diante disso, antes de considerarmos os comentários como verídicos, fizemos um abaixo-assinado, contendo mais de trezentas assinaturas de funcionários da Reitoria, pedindo uma audiência com o Reitor Grandino Rodas para que ele nos desse os esclarecimentos devidos. Para discutir essa questão pontual foi escolhido um grupo de funcionários exclusivamente da Reitoria representando todos os seus departamentos. Fizemos questão de salientar que o grupo seria somente de funcionários da própria Reitoria e que a audiência seria para abordar apenas a questão das transferências – isso porque o Reitor muitas vezes se recusa a conversar com os membros do Sindicato dos

Trabalhadores da Universidade de São Paulo (SINTUSP). Vale salientar que muitos funcionários da Reitoria, por estarem mais próximos de diretores e do próprio Reitor, têm medo de sindicalizar-se ou mesmo de vincular-se a algum evento do SINTUSP.

Diante desse medo por represálias, foi decidido entre os funcionários da Reitoria que aguardaríamos os esclarecimentos do Reitor antes de solicitar envolvimento efetivo do SINTUSP.

O abaixo-assinado foi protocolado no Gabinete do Reitor no dia 23/12/2010. No entanto, quase dois meses depois, ainda não obtivemos nenhum esclarecimento por parte dele e as mudanças já começaram.

Nas últimas semanas, a Editora da Universidade de São Paulo (EDUSP) e a Secretaria Geral já foram transferidas para um prédio alugado na Avenida Corifeu de Azevedo Marques, próximo ao campus. O aluguel, segundo “falam” (porque não temos nenhuma informação concreta), é pago pela Fundação de Apoio da Universidade de São Paulo (FUSP) e a mudança para esse novo endereço foi comunicada em cima da hora. Segundo os funcionários, houve uma reunião na sexta-feira para comunicá-los que deveriam providenciar a mudança a partir da segunda-feira. Como se vê, não há transparência na administração e, principalmente, consideração pelos funcionários.

Há comentários de que outros espaços fora do campus já estão sendo providenciados. Um deles seria um andar no Centro Empresarial Santo Amaro, supostamente cedido pela Fundação de Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). O Setor de Compras da Reitoria já providenciou, inclusive, a compra de 180 mesas para o novo espaço, com dispensa de licitação, já que foi informado que a FUSP pagará a despesa.

Questionado sobre tal mudança, o diretor de Recursos Humanos, Prof. Dr. Joel Dutra, disse que haverá sim uma transferência para o Centro Empresarial Santo Amaro. Quando questionamos sobre quem iria, ele simplesmente respondeu que inicialmente irão cinquenta pessoas, mas disse não saber ainda quais são os setores. Sobre o prazo, disse que será até abril, portanto, em menos de dois meses. Pedimos a ele que formalizasse as informações aos funcionários, mas ele disse que não há autorização por parte do Reitor para dar declarações formais.

A descentralização da Reitoria e as transferências conduzidas “em segredo” parecem ter como objetivo “desarticular” e “intimidar” o movimento sindical da USP, já que nos últimos anos, durante as greves, os grevistas bloquearam a entrada do atual prédio da Reitoria. Parece não haver motivações que visem o aprimoramento do serviço público, tratando-se apenas de uma “revanche” do Reitor. Sendo assim, não há justificativa

para a mudança para prédios alugados ou cedidos fora da Cidade Universitária, prejudicando a vida centenas de funcionários e havendo talvez até mau uso do dinheiro público.

Saiu na Folha de São Paulo de ontem (15/02/2011) uma reportagem sobre os novos projetos da Cidade Universitária, mas em momento nenhum foi citado o atual prédio da Reitoria (blocos K e L da Rua da Praça do Relógio, 109). Há boatos que o prédio será transformado em moradia estudantil, mas é pouco provável, pois nos últimos anos muito dinheiro foi investido na reforma do prédio e o gasto para uma nova reforma é inviável (para não dizer insensato), sendo mais adequado investir na construção de novos espaços.

Enfim, Sr. Deputado, tentei esboçar o que acontece na Reitoria da USP atualmente e que vem gerando incerteza, preocupação e angústia aos funcionários. Reconheço a contribuição que a nossa atividade profissional representa para a gestão da USP e, por isso mesmo, parece-me que o mínimo de respeito que o Reitor deveria ter conosco é manter-nos informados e avisar-nos com antecedência sobre os planos de transferência

para que possamos programar nossas vidas e estudar alternativas.

O Reitor, portanto, não está honrando com o compromisso outrora assumido de manutenção do diálogo na USP.

Agradeço o seu empenho em levantar essas denúncias contra a atual gestão da USP e conto com a dedicação de toda a Comissão de Educação para que possamos obter na Assembléia Legislativa os esclarecimentos que não conseguimos obter na própria Reitoria da Universidade de São Paulo.

E mais este depoimento: Parabenizo-o pela atitude de convocar o reitor João Grandino

Rodas a prestar esclarecimentos. Egressa da USP no ano passado, tenho acompanhado com preocupação as mudanças que o reitor tem realizado, especialmente aquelas que envolvem o uso do espaço público da Universidade.

Destaco a “tara” do reitor por reocupar o prédio da Antiga Reitoria, em que estão instaladas a Coordenadoria de Comunicação Social – que envolve a Rádio USP (recém-reformada, há cerca de um ano e meio), a TV USP e outros órgãos. Informações dos funcionários desses órgãos dão conta de que serão transferidas para prédios alugados ou remanejados para a TV Cultura, o que obviamente iria contra princípios de economicidade nos gastos públicos.

Estava preocupada com o silêncio de autoridades fiscalizadoras, como o Ministério Público e a Assembleia, em relação aos sucessivos casos desse gênero, protagonizados pelo senhor Rodas. Agora, ao ver seu movimento, fico um pouco mais aliviada.

Neste sentido, solicitamos que as informações na inicial deste requerimento sejam prestadas e que possam justificar tal atitude autoritária e perdulária do senhor reitor desta conceituada universidade”.

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2 comentários
  1. Eu sou funcionário e trabalho na reitoria e reafirmo esta carta, o que ocorre é exatamente isto sem tirar nem por. 10 funcionários no meu departamento já foram chamados para deixar a cidade universitária e terão que refazer seus planos de vida. O reitor não tem interesse na USP , nem para a sociedade e nem para com os alunos e funcionários. Não sei quais são seus interesses mas trabalhar com falta de transparência e com mentiras, desmontando a USP não me parece algo que um reitor que deveria guiar a universidade deveria estar fazendo.
    Este reitor me deixa envergonhado de dizer que sou funcionário da USP.

  2. Carla disse:

    Trabalho na USP a 10 anos e sempre vim feliz e orgulhosa por trabalhar na Universidade mais importante do País, mas hoje este senho, João Grandino Rodas, tem me tirado o orgulho, ele me faz sentir um lixo aqui dentro. A impressão de todos os funcionários hoje é de que não valemos nada. Concordo que sempre teve uma classe de funcionários públicos que realmente não contribuiram em nada, mas o número dos que contribuem e muito, é muito maior, portanto muito mais significativo e merecedor de pelo menos respeito. E este Reitor não tem nos respeitado. É lamentável a situação da USP hoje sendo comandada por um ditador.

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