USP tira departamentos do câmpus

Por Mariana MandelliEstadao.com.br

A Universidade de São Paulo (USP) está transferindo departamentos internos para fora de seu câmpus principal, a Cidade Universitária, que fica no Butantã, zona oeste da cidade. Cerca de 300 funcionários estão mudando para endereços que ficam no centro e até na zona sul da capital. A medida provoca polêmica entre os servidores, que afirmam que as decisões foram tomadas de forma unilateral.

As mudanças envolvem, pelo menos, três diferentes endereços externos: a Avenida Corifeu de Azevedo Marques, próxima ao câmpus do Butantã; o Centro Empresarial, em Santo Amaro, zona sul de São Paulo; e a Rua 15 de Novembro, no centro.

Entre os departamentos que mudaram de local de trabalho estão parte da Coordenadoria de Comunicação Social, o Departamento de Registros Acadêmicos da Secretaria-Geral e a Editora da USP, que foram para a Avenida Corifeu. A Procuradoria-Geral foi para o centro de São Paulo, e o imóvel de Santo Amaro deve abrigar a parte administrativa da Coordenadoria de Administração Geral, o Centro de Computação Eletrônica e a Coordenadoria de Tecnologia da Informação, além do backup do sistema computacional.

Alguns setores, como o Departamento de Recursos Humanos, o Departamento Financeiro e a Coordenadoria de Administração Geral (Codage), de acordo com os servidores, devem mudar até o dia 20 de abril.

A USP falou sobre o assunto por meio de sua assessoria de imprensa. Segundo a universidade, a escolha por esses endereços se deu porque os imóveis apresentam condições favoráveis de localização e de infraestrutura, já que são próximos a meios de transporte e são seguros.

Questionada sobre de quem são os prédios e sobre possíveis preços de aluguel dessas áreas, a USP disse apenas que ‘as únicas despesas que a universidade terá nos locais ocupados serão as de manutenção e segurança’.

Além disso, a universidade preferiu alojar dentro do câmpus órgãos diretamente ligados ao ensino e à pesquisa, como, por exemplo, o Sistema Integrado de Bibliotecas e o Instituto de Estudos Avançados, que foram remanejados internamente.

A assessoria de imprensa da instituição afirma que as transferências estão ocorrendo porque a área conhecida como ‘Barracolândia’ e o prédio da antiga reitoria precisavam de intervenções urgentes em sua infraestrutura – os barracões serão derrubados e a reitoria, reformada.

Enquanto isso, o alojamento desses departamentos ocorre dentro da Cidade Universitária e, por falta de espaço, fora dela. A USP afirma que, com a finalização das obras, os funcionários voltam para o câmpus.

Polêmica. As mudanças estão revoltando professores e funcionários. Segundo eles, as transferências são arbitrárias. ‘Não há diálogo algum nem possibilidade de discussão’, afirma Magno de Carvalho, diretor do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp).

O presidente da Associação dos Docentes da USP (Adusp), João Zanetic, concorda. ‘As mudanças ocorrem de forma abrupta. Há arbitrariedade e autoritarismo, práticas administrativas graves e recorrentes.’

Para o professor Luiz Renato Martins, da Escola de Comunicações e Artes (ECA), a intenção é descentralizar os funcionários. ‘Espalhar os servidores em locais distantes é não tornar possível a comunicação entre eles’, opina. ‘É fazer da administração uma redoma, impossibilitando o diálogo entre as pessoas.’

Outros servidores ouvidos pelo Estado dizem que os locais designados fora do câmpus são distantes de onde residem e os avisos sobre as mudanças chegam em cima da hora. ‘Ninguém é informado de nada e a gente se sente muito pressionado psicologicamente’, afirma um funcionário da reitoria que preferiu não se identificar.

Segundo os funcionários, foi organizado um abaixo-assinado contra as transferências, com cerca de 350 assinaturas. O documento foi entregue à reitoria no fim do ano passado. ‘Mas não tivemos nenhum retorno’, disse um deles.

A USP ressalta que os funcionários deslocados que preferirem continuar trabalhando no câmpus podem recorrer a uma permuta com colegas ou solicitar à administração da universidade a transferência para setores que não se mudarão.

Os servidores que forem destinados a locais fora da Cidade Universitária terão direito a vale-refeição no valor de R$ 15,90. Também será providenciado local para estacionamento para quem necessitar.

PARA LEMBRAR

Universidade investe R$ 60 mi em reformas

O câmpus principal da Universidade de São Paulo, a Cidade Universitária, está em obras. São diversos projetos, espalhados por toda a área da universidade, que fazem parte de uma espécie de reestruturação da unidade. A maior parte deles deve ser realizada com dotações orçamentárias da instituição até 2013. O custo total é de R$ 60 milhões.

No caso da área dos barracões será construído um complexo de 70 mil m² que deve abrigar atividades docentes e de pesquisa e também atividades administrativas da USP.

De acordo com a instituição, é nesse local que deve funcionar o Centro de Difusão Internacional da Universidade, que será constituído por uma escola de idiomas para brasileiros que estão se preparando para estudar no exterior e também para os estrangeiros que estudam na USP e querem aprender a língua portuguesa.

Nesse mesmo complexo, a universidade planeja o centro de recepção para alunos estrangeiros e escritórios de organismos internacionais – como a Unesco e o Instituto Confúcio, por exemplo.

No fim do ano passado, o Conselho Universitário aprovou o aumento, para este ano, do valor repassado à manutenção das unidades da USP. Até 2010, a dotação para manutenção predial era de R$ 10 por m². Agora, é de R$ 20 mil.

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2 comentários
  1. maf disse:

    Já que o Estadão desconsiderou a carta enviada comentando essa reportagem e as afirmações mentirosas da assessoria de imprensa da reitoria, reproduzo aqui o texto a eles encaminhado:

    Em relação à reportagem “USP tira departamentos do campus”, gostaria de esclarecer que a situação nos prédios para onde os órgãos deslocados estão sendo removidos é, na realidade, bem diferente da descrita pela reitoria.

    Sobre a afirmação de que “os imóveis apresentam condições favoráveis de localização e de infraestrutura”, basta dizer que o subsolo do prédio da Av. Corifeu de Azevedo Marques, onde estão a CCS, a Edusp e a Seção de Registro de Diplomas, alaga com qualquer chuva. Isso já aconteceu diversas vezes desde que o prédio foi alugado e inclusive na última sexta-feira, dia 18/03, quando, após meia hora de chuva, já havia mais de 30 cm de água acumulada. O detalhe é que este subsolo é para onde o reitor quer mandar o estoque de livros da Editora da USP.

    Além desse problema bastante grave, as condições de trabalho no prédio não são boas e, até, bastante inseguras, já que não há sequer extintores de incêndio. A mudança, ordenada intempestivamente, foi feita às pressas, antes de qualquer adaptação para que os setores pudessem funcionar. Não havia nem tomadas para ligar os computadores e a Edusp e a CCS ficaram quase um mês sem telefone, sem rede e sem internet, que só foram ligados na semana passada. Quase um mês de trabalho perdido, já que é impossível fazer qualquer atividade sem esses equipamentos, em se tratando de órgãos de comunicação. As paredes sequer foram pintadas e as mínimas adaptações que a reitoria aceitou fazer ainda não estão finalizadas, o que nos obrigada a conviver com barulho, sujeira, movimentação de pessoas estranhas… Já foram furtados diversos equipamentos de informática. Enquanto isso, a Antiga Reitoria está vazia, e assim deve continuar por bastante tempo, pois não há projeto de reforma muito menos licitação para as obras. Ou seja, se havia pressa para que saíssemos, os motivos eram outros. Agora, ao que parece, o reitor mandou retirar todos os vasos sanitários da Antiga Reitoria, para obrigar os funcionários que lá permaneciam a sair, e, desconfio, como estratégia para dificultar alguma tentativa de invasão, já que o prédio deve permanecer desocupado por meses.

    Também é falsa a informação de que os únicos gastos da universidade com os prédios serão de manutenção e segurança. O prédio da Corifeu, por exemplo, foi alugado por, ao que se diz, R$ 80 mil por mês. A conta, no entanto, está sendo paga pela FUSP, Fundação de Apoio à Universidade de São Paulo, forma encontrada pela reitoria para “mascarar” o desperdício.

    Quanto às “condições favoráveis de localização”, basta dizer que o centro empresarial, em Santo Amaro, fica a 13 km da USP e que o trajeto de ônibus entre um e outro dura pelo menos 1h. E todos sabem que se locomover em São Paulo não é fácil, nem rápido. No prédio da Corifeu, apesar de relativamente próximo da USP, só se chega, saindo da USP, pegando dois ônibus.

    No momento, o que também nos preocupa são as perspectivas de retorno à Cidade Universitária pois, nos projetos anunciados, estranhamente, não há lugar para os órgãos agora deslocados – isso sem levar em consideração o fato de que muitas promessas já foram feitas e não cumpridas. A Editora, por exemplo, é a terceira vez que se muda, e ninguém sabe onde será alocada posteriormente. O estoque de livros, que em parte fica na Antiga Reitoria e em parte em um dos barracões a serem demolidos, está mais uma vez sem destino certo.

    Infelizmente, e talvez esta seja a parte mais grave, não me sinto à vontade para me identificar, pois, apesar de não haver orientações oficiais a respeito, a estratégia adotada tem sido a de não comentar o assunto, uma vez que qualquer tentativa de argumentação pode ter consequências desastrosas. Essa censura velada aumenta as incertezas e dificulta qualquer ação, pois qualquer demanda é entendida como afronta e todos têm medo de represálias – pessoais ou, o que é mais grave, institucionais, já que não hesitam nem mesmo em prejudicar o funcionamento de órgãos da Universidade como vingança por se contestar as mudanças.

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