Na USP “qualquer demanda é entendida como afronta e todos têm medo de represálias”

Abaixo publicamos comentário deixado neste blog à matéria do Estadão, que foi aqui reproduzida.  Nele há correções ao que saiu no jornal dos Mesquitas, correções estas que, segundo o comentário, o Estadão recebeu mas ignorou. Logo em seguida, demonstra com pormenores a situação de muitos dos “despejados” pelo reitor João Grandino Rodas (por que ele tinge o cabelo de acaju?). No entanto, o leitor que escreveu o comentário pede para não ser identificado, uma vez que, apesar de ter se declarado o reitor do diálogo, a gestão Rodas age liminarmente, sem diálogo, punindo quem efetua críticas ou se contrapõe às intempéries reitorais. E isso é algo afirmado não somente por nosso leitor, mas tem sido queixa recorrente de boa parte da comunidade uspiana, como bem demonstra o que segue:

Já que o Estadão desconsiderou a carta enviada comentando essa reportagem e as afirmações mentirosas da assessoria de imprensa da reitoria, reproduzo aqui o texto a eles encaminhado:

Em relação à reportagem “USP tira departamentos do campus”, gostaria de esclarecer que a situação nos prédios para onde os órgãos deslocados estão sendo removidos é, na realidade, bem diferente da descrita pela reitoria.

Sobre a afirmação de que “os imóveis apresentam condições favoráveis de localização e de infraestrutura”, basta dizer que o subsolo do prédio da Av. Corifeu de Azevedo Marques, onde estão a CCS, a Edusp e a Seção de Registro de Diplomas, alaga com qualquer chuva. Isso já aconteceu diversas vezes desde que o prédio foi alugado e inclusive na última sexta-feira, dia 18/03, quando, após meia hora de chuva, já havia mais de 30 cm de água acumulada. O detalhe é que este subsolo é para onde o reitor quer mandar o estoque de livros da Editora da USP.

Além desse problema bastante grave, as condições de trabalho no prédio não são boas e, até, bastante inseguras, já que não há sequer extintores de incêndio. A mudança, ordenada intempestivamente, foi feita às pressas, antes de qualquer adaptação para que os setores pudessem funcionar. Não havia nem tomadas para ligar os computadores e a Edusp e a CCS ficaram quase um mês sem telefone, sem rede e sem internet, que só foram ligados na semana passada. Quase um mês de trabalho perdido, já que é impossível fazer qualquer atividade sem esses equipamentos, em se tratando de órgãos de comunicação. As paredes sequer foram pintadas e as mínimas adaptações que a reitoria aceitou fazer ainda não estão finalizadas, o que nos obrigada a conviver com barulho, sujeira, movimentação de pessoas estranhas… Já foram furtados diversos equipamentos de informática. Enquanto isso, a Antiga Reitoria está vazia, e assim deve continuar por bastante tempo, pois não há projeto de reforma muito menos licitação para as obras. Ou seja, se havia pressa para que saíssemos, os motivos eram outros. Agora, ao que parece, o reitor mandou retirar todos os vasos sanitários da Antiga Reitoria, para obrigar os funcionários que lá permaneciam a sair, e, desconfio, como estratégia para dificultar alguma tentativa de invasão, já que o prédio deve permanecer desocupado por meses.

Também é falsa a informação de que os únicos gastos da universidade com os prédios serão de manutenção e segurança. O prédio da Corifeu, por exemplo, foi alugado por, ao que se diz, R$ 80 mil por mês. A conta, no entanto, está sendo paga pela FUSP, Fundação de Apoio à Universidade de São Paulo, forma encontrada pela reitoria para “mascarar” o desperdício.

Quanto às “condições favoráveis de localização”, basta dizer que o centro empresarial, em Santo Amaro, fica a 13 km da USP e que o trajeto de ônibus entre um e outro dura pelo menos 1h. E todos sabem que se locomover em São Paulo não é fácil, nem rápido. No prédio da Corifeu, apesar de relativamente próximo da USP, só se chega, saindo da USP, pegando dois ônibus.

No momento, o que também nos preocupa são as perspectivas de retorno à Cidade Universitária pois, nos projetos anunciados, estranhamente, não há lugar para os órgãos agora deslocados – isso sem levar em consideração o fato de que muitas promessas já foram feitas e não cumpridas. A Editora, por exemplo, é a terceira vez que se muda, e ninguém sabe onde será alocada posteriormente. O estoque de livros, que em parte fica na Antiga Reitoria e em parte em um dos barracões a serem demolidos, está mais uma vez sem destino certo.

Infelizmente, e talvez esta seja a parte mais grave, não me sinto à vontade para me identificar, pois, apesar de não haver orientações oficiais a respeito, a estratégia adotada tem sido a de não comentar o assunto, uma vez que qualquer tentativa de argumentação pode ter consequências desastrosas. Essa censura velada aumenta as incertezas e dificulta qualquer ação, pois qualquer demanda é entendida como afronta e todos têm medo de represálias – pessoais ou, o que é mais grave, institucionais, já que não hesitam nem mesmo em prejudicar o funcionamento de órgãos da Universidade como vingança por se contestar as mudanças.

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