Para vender a USP valem matérias desfavoráveis na mídia

[Este pequeno texto é, de uma certa forma, motivado por matéria da Ombudsman do jornal da família Frias. Clique aqui para lê-la.]

Antes a Universidade escondia suas mazelas para manter o apoio da população de São Paulo contra os ataques que ela sofria reiteradamente dos governos paulistas que sempre colocaram as condições mínimas de funcionamento da USP em risco. Esse apoio lidava, principalmente, com um amor condicional em relação à USP pelo fato de ser a maior universidade do pais, a melhor e estar à frente de todos as outras. Ou seja, lidava com o bairrismo do paulista que se importaria menos com o papel da USP para a formação de professores e pesquisadores para o Brasil e mais numa rixa de São Paulo contra o resto do país, mantendo o orgulho de ser a melhor. E, com isso, conseguia-se, em situações de conflito, dividir o apoio das elites paulistas para somar àqueles que são beneficiados pela universidade diretamente, como professores aqui formados, pesquisadores etc.

Parte da administração da USP, mesmo sendo ligada ao PSDB, acabava tendo um pé dentro e outro fora, pois dependia da universidade ao menos como ganha pão e garantia de verbas vultosas que aqui chegavam.

A administração recebia uma pressão de dentro, da comunidade acadêmica, de professores e estudantes, dos professores burocratas encostados para fazer formação de quadros de estado, e da esquerda acadêmica, com pautas que chamavam à realização do conhecimento fora dos muros, o que se refletia em projetos, extensão etc. Além deles, mais afinados com o governo do Estado de São Paulo, mas de equilíbrio mais delicado com todas as forças que compõe a Universidade, está o grupo ligado a fundações; grupo esse que pode dizer adeus à ideia de universidade sem muito remorso. Ele tem a ideia, a priori, de vender a Universidade, mesmo que a transferência de tecnologia das empresas a partir das matrizes fora do país, não as faça desejar pesquisar no Brasil exceto para adaptar produtos. Ou seja, é o impulso de vender sem a pressão da compra, pois a Universidade teoricamente, mesmo dentro de um projeto capitalista, teria o pendor desenvolvimentista de gerar tecnologias que criaria empresas, que cresceriam. Projeto ao qual se contrapõe frontalmente e que se une ao projeto do governo do Estado, vender todos os bens públicos, nem que seja necessário criar o comprador e financiá-lo com verbas e facilidades garantidas pelo Estado.

Essas forças conjugadas e em conflito resultavam em nunca poder-se tratar dos problemas internos que possuíamos provocados pelos postes (também conhecidos como reitores) do governo do Estado dentro da Universidade, o que sempre mantinha os conflitos intramuros em relação à destinação escusa de verbas, fundações, as mais estranhas, que aqui operavam de modo secreto, mas que se vendiam como um resquício de bom funcionamento público e que era pura maquiagem corporativa de tramoias que ainda vão se revelar, apesar de volta e meia respingar em alguém. No entanto, para isso, cabia sempre jogar com a imagem externa da USP, pois é difícil tratar para o público externo de problemas internos de uma universidade (ainda mais uma das dimensões da USP), como falta de contratação de professores e outros, sem atingir os brios dos poucos que apoiariam as lutas aqui dentro e que também teriam influência no governo do Estado.

A imagem da USP deveria ser preservada a todo custo pelas forças internas em conflito e mesmo a esquerda era obrigada a lidar com certo narcisismo paulista que se refletia no espelho da USP. Eis o nó.

No entanto, a nova fase da administração, que parece pouco se importar com isso, chegou a um termo que se alia aos ataques do Palácio dos Bandeirantes e lhe é afinada diretamente. Ela mesma ataca a Universidade e joga a conta na esquerda ou ainda nos pressupostos humanistas que garantem a formação, o diálogo, interação entre unidades etc. Por exemplo, começou a pressão de reserva de mercado que impede a formação
entre áreas, mas isto é pouco, as próprias declarações do atual reitor e suas atitudes visam aprofundar na Universidade uma má-consciência de seus problemas, ao identificá-los, mas jogando a culpa para as únicas tendências que mantém o que existe de espírito ligado à Universidade, de formação, de debate, de diálogo e  de científico, e para tanto, alia-se diretamente às campanhas dos meios de comunicação e fundações ligadas a ex-secretários de educação como Paulo Renato e os lobbies de universidades privadas no interesse do estabelecimento de um mercado de educação, fomentando, financiando e criando garantias para este setor se formar como um oligopólio de amigos que fecham as portas a todas as garantias de valores como a ideia de público, relação com sociedade, formação de professores de universidades de todo o país e pesquisadores, assim como de educação, conhecimento e, o que é pior, assumindo que a universidade se resume a um diploma que se pode adquirir comprando um curso que se pode fazer a distância, sem conversar, tirar dúvidas e debater.

Para tanto, servem para suas artimanhas inclusive matérias desfavoráveis publicadas nos jornais, pois tudo pode servir de desculpa a novos planos de reestruturação, como a que se anuncia para os cursos do período noturno. Um impulso que acaba com as diversas forças em luta na universidade e segue na implementação de um projeto irresponsável apenas para retirar verbas das áreas públicas e que progressivamente
são jogadas nas mãos das escusas fundações. Reconhece os problemas e o que oferece para sua solução é o aprofundamento daquilo que a destrói até que não se possa mais reconhecer o que era universidade.

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1 comentário
  1. A manipulação das informações pela mídia é mais perigosa,porque porque quando um governo as manipula em detrimento do público e a mídia é mais forte,essa manipulação não se segura por muito tempo.Quando a própria mídia se afasta do papel critico , não somente os governantes deixam de prestar contas como os interesses ou afiliações perniciosas da mídia e de seus donos permitem abusos por parte de governantes.O exemplo mais claro foi a guerra do IRAQUE em 2003 alavancada pela grande mídia. JULIAN ASSANGE———————————————————————CIDADE :BELO HORIZONTE— ESTADO:MINAS GERIAS–BAIRRO:NÃO VOU DIZER.

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