Diretoria da USP Leste promete manter número de vagas

Após protestos, diretor diz a comissão de deputados que não haverá redução de vagas, mas professores e alunos temem remanejamento

Cinthia Rodrigues, iG São Paulo

Nenhuma vaga a menos na Escola de Artes, Ciências de Humanidades da Universidade de São Paulo (USP Leste) e a manutenção do curso de obstetrícia. A promessa foi feita pelo diretor da unidade, Jorge Boueri, a deputados que visitaram o campus nesta segunda-feira para questionar o relatório que sugere o fechamento de 330 das 1.020 vagas. Alunos e professores tentam agora evitar que o número esconda um remanejamento de lugares nos cursos de baixa demanda para novas carreiras.

No mês passado, um grupo de trabalho nomeado pela direção da unidade e chefiado pelo ex-reitor Adolpho Melfi, recomendou cortes de pelo menos 10 vagas em cada curso da unidade. No caso de licenciatura de ciências da natureza, a redução seria de 120 para 40 e o curso de obstetrícia perderia todas as suas 60 vagas que passariam a Escola de Enfermagem da USP, em Pinheiros, conforme revelou o iG. Desde então, há protestos quase diariamente na unidade, diante da reitoria e até para o governador Geraldo Alckmin (PSDB).

Na quinta-feira passada, Boueri convidou os alunos para um “bate-papo” e disse que não haveria redução do total de vagas. Nesta segunda-feira, os deputados estaduais Simão Pedro (PT), Adriano Diogo (PT), Alencar Santana (PT) e o líder comunitário Antônio Marchioni, o Padre Ticão, receberam a mesma informação. “Ele se comprometeu, disse que quanto a isso podemos ficar tranquilos”, afirma Simão.

Alunos e professores temem que a manutenção das 1.020 vagas seja possível apenas por conta da inclusão dos cursos de Mídias Digitais e Design de Serviços que já estão aprovados e podem começar a partir do próximo ano. A princípio, os dois cursos significariam mais 60 vagas por ano na USP Leste. O diretor do Diretório Central Acadêmico, Thiago Aguiar, disse que os estudantes não aceitam fechamento de nenhuma vaga, mesmo que outras sejam abertas. “Se eles estão com este objetivo, não estão sendo claros com a gente, nós não aceitamos a diminuição das atuais.”

Orçamento desequilibrado

Os deputados foram informados de que um dos problemas para expansão de vagas seria a falta de orçamento. A USP Leste é responsável por atender 10% dos alunos de graduação, mas tem apenas 1,37% do orçamento de toda a instituição. A unidade também tem 29 alunos por funcionário, enquanto a média geral é de 6 estudantes por empregado. “Vamos agora questionar o reitor (João Grandino Rodas)”, diz o deputado.

A comissão prometeu se empenhar em conseguir uma audiência com os ministérios do Trabalho e da Saúde para propor a criação de resolução que regulamente a profissão de obstetriz. Um dos argumentos para o fechamento do curso é a falta de mercado de trabalho e de reconhecimento da carreira que tem na USP a única graduação no Brasil. “Vamos também conversar com as secretarias estaduais de Gestão e Saúde para prever vagas para estes profissionais nos novos concursos”, afirma o representante dos parlamentares.

Para a professora Elizabete Franco Cruz, é um alívio parcial. “Ficamos contentes com a nova postura e esperamos que com isso todas as vagas sejam garantidas no próximo vestibular, mas ainda vamos continuar lutando para o reconhecimento da competência da profissional formada”, enfatiza.

A reunião da Comissão de Graduação que pode definir fechamento ou remanejamento de vagas está agendada oficialmente para a quinta-feira.

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