Para os jovens, de um jovem

 

PM do campus?

Por Yussef Kálós

O ano de 2011 trouxe à tona instigantes demonstrações de resistência ao atual estado das coisas: um acirramento das contradições: revolução nos conservadores países árabes; luta pelo transporte público de qualidade; legalização da união homo-afetiva; churrascão classista etc. – em oposição: manifestações públicas descaradas de conservadorismo moral e político; repressão brutal aos jovens; endireitamento dos governos europeus etc.

O capitalismo vai de vento em popa! Até hoje ele segue estraçalhando corpos e vendendo os órgãos. As diferenças de renda não se atenuaram e o convite para o lado oculto do capital – o mercado-negro, armas drogas e piratagem – só tende a se intensificar nas classes excluídas. Por outro lado, a possibilidade de acesso a auto-organização propiciada pela internet tem surpreendido governos e poderes. Esta elevação da tensão progressista ante o fortalecimento das forças conservadores se manifesta em revoltas, massacres, guerras civis, guerra nas favelas, balas de borracha, assassinatos, roubos, nos limites do humano. Tudo tende a se intensificar num momento de crise e acirramento da história, que curiosamente foi comparado a 1929.

A Universidade de São Paulo, cujo conceito deriva de universal, devia abrir suas portas para o século que se lhe apresenta. Mas o que vemos é o contrário. Tomemos, por exemplo, o recente e trágico assassinato na FEA. Fruto da reação a um roubo, que podia ocorrer em qualquer lugar da cidade, levou os estudantes da FEA pedirem por mais exército militar dentro da universidade (a PM é fruto e criação da Ditadura Militar, e jamais foi reformulada para deixar de sê-lo!). Mas a Universidade, preocupada com o universal não deveria saber que os militares sempre foram aqueles que segregaram as fronteiras, as classes, a produção que garante a propriedade não universal, mas particular? A universidade não deveria afirmar que o saber sempre buscou evitar a violência e que é um contrassenso conclamar os militares, aqueles que vivem da produção em massa de material bélico para persuasão pela força e não pelo conhecimento? Será que um dia a ciência poderá se liberar do financiamento militar? Será que a promessa de autonomia da ciência frente à violência da guerra poderá trazer o mundo ideal de paz e bem-viver na terra para os homens?

Como pode uma Universidade, que, diga-se de passagem, tem os Militares dentro do campus desde que invadiram a Maria Antônia, (Civil, Marinha etc.) se conformar com a reivindicação daqueles que pedem que os estranhos e diferenciados da Universidade fiquem longe de sua visão? Como pode uma Universidade aceitar a política do medo como seu carro chefe e abandonar as expectativas de transformação da sociedade?

No dia seguinte ao assassinato de nosso colega, vimos uma USP deserta, amedrontada, calada. Não me parecia mais segura com a presença da PM, no entanto, estava, sim,  mais vazia, mais fechada. A solução chegaria ao absurdo se murássemos ainda mais a USP. Que tal murarmos as praças e os estacionamentos. Muros com cerca elétrica e câmera? E que tal impedir que se entre na USP sem carteirinha? Isso nos trará mais segurança?

Não podemos aceitar tal retrocesso para a liberação do humano. Essas imagens aprisionam o futuro. Devemos é liberar o humano. Nos espaços públicos, aprofundando as contradições, expondo-as ao menos, demonstraremos nossos sonhos de transformação! É nesta perspectiva que vai nossa ação. Os estudantes universitários têm sido protagonistas das últimas grandes demonstrações anticapitalistas. Diante de um ano tão violento e revoltante, nos resta, enquanto juventude, protestar pela liberação do mundo. E se ainda formos corajosos, faremos isso internacionalmente! Democracia real já! Chega de capitalismo das guerras e pobrezas! Pela universalização do universal! Seja sobre-real, sonho, utopia, palavra; seja realidade material concreta, corpo presente e um gesto. A revolução surge no horizonte…

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3 comentários
  1. Vivi disse:

    Pesquise mais sobre a PM.

  2. ThiagoR disse:

    Mais livros, menos “DCE”.
    Educação de qualidade não vem só da universidade, mas, principalmente, de cada um.

  3. A solução não é a PM. Em caso de estupro, chamem os GHOSTBUSTERS!!!!!!!

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