Polícia para quem Precisa

Por  Alex Cosec

 Os burgueses fanáticos pela ordem são mortos a tiros nas sacadas de suas janelas por bandos de soldados embriagados, a santidade dos seus lares é profanada, e suas casas são bombardeadas como diversão em nome da propriedade, da família, da religião e da ordem“. (Karl Marx).

A recente tragédia que vitimou um jovem estudante no campus da USP no bairro do Butantã suscitou uma rápida reação da Reitoria: o policiamento preventivo e repressivo na Cidade Universitária.

A USP viveu outras tragédias, nem maiores e nem menores, já que a dor pela perda de um ser humano é irreparável. No início dos anos noventa houve um estupro no prédio de História da USP (não relatado à polícia por ter sido praticado por um estudante). Na mesma época, um velho conhecido dos alunos, dono de uma copiadora Xerox na Escola de Comunicações e Artes foi violentamente assassinado.

Em nenhum desses casos o chamamento pela polícia tornou-se prática efetiva da Reitoria.

Os tempos, agora, são outros. Um sentimento de insegurança ronda as cabeças. Administradores universitários são insultados por estudantes “impacientes” e políticos estabelecidos só falam em locais devidamente fechados e vigiados. Os prédios do poder universitário são ocupados por longos meses e as fundações privadas, os desvios de verbas e os contratos fraudulentos com empresas terceirizadas são denunciados publicamente. Que tempos!

Segundo reportagem de 20 de maio de 2011 do Jornal da Tarde o Conselho Gestor do Campus da USP, após o bárbaro assassinato do estudante Felipe Ramos de Paiva, concedeu o “aval para a PM atuar dentro da Cidade Universitária”. A PM havia sugerido um mês antes, de acordo com o mesmo jornal, reparos no muro que separa a USP da Favela São Remo! O representante da corporação não teve pejo em lembrar-se que os moradores da favela também necessitam de segurança. Talvez até contra a comunidade uspiana.

Não foi este o caso de um célebre economista da USP que falsificou índices de inflação para assaltar os assalariados durante a Ditadura Militar?

Bem, neste caso, um muro não bastaria…

É evidente que a epígrafe acima, dirão os práticos, é só um recurso literário que não condiz com a “faticidade” brutal de uma cotidianidade irredutível a qualquer teorização. Igualmente a qualquer medida administrativa tomada ad  hoc, poderiam retrucar os “nefelibatas”.

E isso é bem verdade. Ainda neste ano, um professor da USP vinha em seu veículo para ministrar aula e foi parado por dois policiais de trânsito (armados). Foi instado a sair do veículo, revistado e insultado. Verificaram o porta-malas “em busca de drogas”. Depois de algum tempo, observou-se que era professor da universidade. Assim, foi mandado embora. A aula começou atrasada sem que os alunos soubessem por que.

Bem, talvez seja boa a presença da PM no campus juntamente com o fim dos seus muros. Afinal, todos precisarão de polícia.

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1 comentário
  1. Alan disse:

    Esse site me dá nojo, é da extrema esquerda, bando de terroristas. Estudei na USP e sei que lá ninguém gosta da presença da PM pois querem ficar mais tranquilos para fumarem seus baseados além, é claro, de fazerem a anarquia costumeira.

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