“Ministério da Educação está sendo covarde”, afirma Jean Wyllys sobre suspensão do kit gay

Fernando Haddad Ministro da Educação

por Camila Campanerut

UOL Notícias via Bol

Os vídeos do kit gay que causaram polêmica e levaram o governo a suspender o material já eram públicos e estariam aprovados, inclusive pelo MEC (Ministério da Educação), de acordo com o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ).

“O ministério da Educação está sendo covarde. Não pode chegar agora e pegar um material feito por entidades parceiras e dizer que acha que partes dele precisariam ser mudadas. É claro que está em jogo o Palocci. Ele [o ministro Fernando Haddad] foi obrigado a recuar”, afirmou Wyllys na tarde desta sexta-feira (27).

Segundo Wyllys, quando os vídeos foram apresentados na Comissão de Educação no Senado em novembro do ano passado, os técnicos do MEC e o próprio ministro teriam demonstrado concordar com o teor das produções. Na ocasião, eles teriam comentado que para finalizar o trabalho “faltava apenas incluir a linguagem de libras (para deficientes auditivos)” segundo Jean Wyllys, líder da frente LGBT da Câmara.

Segundo o ministro da Educação, Fernando Haddad, “a Secad [Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade] aprovou, [ela] se deu por satisfeita”, disse o ministro sobre a elaboração conjunta de ONGs e MEC do kit gay. Mas o material ainda teria que passar pelo comitê de publicações do MEC, segundo Haddad.

Chantagem

“Neste caso, a verdade tem que ser dita: o governo foi vítima de chantagem. Meu papel é pressionar. Não sou contra o governo, não faço oposição sistemática. Mas é meu dever, minha responsabilidade explicar o que está acontecendo”, afirmou o deputado.

Depois da pressão da bancada evangélica e de grupos católicos do Congresso e das ameaças dos parlamentares desses grupos de apoiar investigações sobre o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, o governo federal decidiu suspender a produção e a distribuição do kit anti-homofobia na quarta-feira (25). Segundo o governo, todo o material do governo que se refira a “costumes” passará por uma consulta aos setores interessados da sociedade antes de serem publicados ou divulgados.

O governo nega que a decisão tenha sido por causa das pressões. A presidente Dilma Rousseff se pronunciou sobre o kit Escola sem Homofobia na manhã de quinta (26). Ela disse que assistiu a um dos vídeos e não gostou do seu conteúdo. “Não aceito propaganda de opções sexuais. Não podemos intervir na vida privada das pessoas”, afirmou.

Um dos motivos pelos quais a presidente Dilma Rousseff suspendeu o kit anti-homofobia teria sido uma “frase inadequada” em um dos vídeos que já circulava na internet, disse o ministro da Educação, Fernando Haddad na manhã desta sexta (27).

Vídeos misturados

Em uma das reuniões para discussão do material — que está sendo produzido com verba liberada por uma emenda da Câmara dos Deputados — vídeos de combate às DST (doenças sexualmente transmissívies) teriam sido apresentados como parte do kit do MEC. O conteúdo chocou os parlamentares que se voltaram imediatamente contra o projeto “Escola sem Homofobia”.

Segundo Wyllys, a inclusão teria sido feita por Anthony Garotinho (PR-RJ) — o que ele classificou de ”jogo sujo”. Segundo Wyllys, ele chegou a tentar conversar com Garotinho sobre o equívoco, mas o deputado teria desconversado. O deputado Anthony Garotinho (PR-RJ) foi procurado pela reportagem, mas ainda não retornou aos contatos para comentar o assunto.

“O material não vai ser distribuído para crianças de cinco ou seis anos. Essa informação fez virar uma histéria coletiva. A população foi enganada. As pessoas se colocaram contra por falta de informação. Os vídeos e as cartilhas só seriam encaminhadas para as escolas que solicitassem e que já tivessem casos de homofobia. A verdade tem que ser dita”, conclui Jean Wyllys.

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