Freikorps na USP?

Por Demian Alves Ribeiro

Depois de ler na edição eletrônica do jornal O Estado de São Paulo que a USP terá ‘pelotão universitário’ com policiais alunos”, fico incrédulo com esta medida de inspiração – sem nenhum exagero – fascista. A USP decidiu por formação de milícias? Ou seja, após o incêndio do parlamento, um passo além do bedéu, temos agora a nossa freikorps. Fico pensando em como funcionará essa milícia uspiana em caso de greve, especialmente em locais como a FEA?

Eu fico pasmo que com tudo isso, João Grandino Rodas continua sem admitir ou ter imputada a responsabilidade de no momento em que a USP ficou visada por roubo de carro (nem preciso dizer quem coordena esse tipo de crime), ele diminuiu o efetivo da Guarda Universitária no período da noite, e é muito provável que tenha feito isso para protegê-lo preventivamente contra grevistas durante o dia. Em contrapartida, não aumentou um único ponto de iluminação que lhe foram incumbidos desde o início de seu mandato e ainda por cima, por coincidência, o assassinato de nosso colega da FEA foi atrás dos barracões que ele, Rodas, derrubou, e que por conta disso essa área ficou mais escura, e sequer um único segurança foi para ela destacado. Outrossim, a própria PM disse que, após a guarda ouvir o disparo, ninguém fechou as portarias por onde passam carros, sendo que o assaltante fugiu num carro e não pela saída de pedestres como faz o Reitor parecer quando fala à imprensa que lhe é chegada. Apesar de tudo o que era OBRIGAÇÃO da Reitoria fazer, mas não fez, o Reitor diz que aumentar e treinar adequadamente a Guarda e investir em iluminação são medidas que não funcionam, não coíbem a violência. Engraçado que ele nem tentou implementar tais medidas, mesmo assim diz ser inútil, ou ainda, faz de conta que desconhece dados estatísticos comprovando queda de índices de violência quando áreas antes escuras passam a ser devidamente iluminadas. Ou seja, não é acaso, mas é oportunismo em cima de uma tragédia o fato de a PM  agora entrar ostensivamente na USP. Assim, não fica difícil entender como fomos parar em milícias.

Como ela, milícia da USP, funcionará melhor do que a guarda ? Como isso resolveria uma reação a assalto? Pelo que militará a nossa milícia? Militarão pela
manutenção da ordem e de um ambiente asséptico, além de se formar pedagogicamente os futuros alunos dedos-duros do ME, e quando a coisa apertar a quem a milícia estudantil da USP irá chamar?  Ora, a mesma polícia que tira a identificação para bater à vontade e, às vezes, brinca de explodir caixa-eletrônico.

Cada vez mais me convenço que a USP não é mais uma universidade, exceto se
jogarmos na lata do lixo o conceito de universal.

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