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Movimento estudantil

Por Demian Alves Ribeiro

Depois de ler na edição eletrônica do jornal O Estado de São Paulo que a USP terá ‘pelotão universitário’ com policiais alunos”, fico incrédulo com esta medida de inspiração – sem nenhum exagero – fascista. A USP decidiu por formação de milícias? Ou seja, após o incêndio do parlamento, um passo além do bedéu, temos agora a nossa freikorps. Fico pensando em como funcionará essa milícia uspiana em caso de greve, especialmente em locais como a FEA? Read More

Por  Alex Cosec

 Os burgueses fanáticos pela ordem são mortos a tiros nas sacadas de suas janelas por bandos de soldados embriagados, a santidade dos seus lares é profanada, e suas casas são bombardeadas como diversão em nome da propriedade, da família, da religião e da ordem“. (Karl Marx).

A recente tragédia que vitimou um jovem estudante no campus da USP no bairro do Butantã suscitou uma rápida reação da Reitoria: o policiamento preventivo e repressivo na Cidade Universitária.

A USP viveu outras tragédias, nem maiores e nem menores, já que a dor pela perda de um ser humano é irreparável. No início dos anos noventa houve um estupro no prédio de História da USP (não relatado à polícia por ter sido praticado por um estudante). Na mesma época, um velho conhecido dos alunos, dono de uma copiadora Xerox na Escola de Comunicações e Artes foi violentamente assassinado. Read More

Gostaríamos inicialmente de nos solidarizar a todos e todas que sofrem a dor dessa perda, bem como a todos que convivem no espaço da FEA, que foi violentamente invadido e modificado. A morte de um jovem é sempre uma tragédia. Uma vida interrompida nos causa muita dor e tristeza.

Nesse sentimento de solidariedade nos dispomos a pensar junto sobre qual o caminho a ser trilhado agora, depois de tamanho susto. É preciso que nos debrucemos com a profundidade necessária sobre esse assunto, bem como, que nos organizemos para evitar mais acontecimentos como esse. Read More

 

PM do campus?

Por Yussef Kálós

O ano de 2011 trouxe à tona instigantes demonstrações de resistência ao atual estado das coisas: um acirramento das contradições: revolução nos conservadores países árabes; luta pelo transporte público de qualidade; legalização da união homo-afetiva; churrascão classista etc. – em oposição: manifestações públicas descaradas de conservadorismo moral e político; repressão brutal aos jovens; endireitamento dos governos europeus etc. Read More

É esta polícia que querem na USP, em vez de segurança traz o medo da perda de direitos como a liberdade de expressão. 

Abuso e retrocesso na Paulista

Repressão à marcha pela liberdade de expressão resulta em ação da PM com nível de violência e brutalidade como há muito não se via

Por Paula Miraglia, colunista do iG

Recentemente o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, fez criticas à resistência à presença da Polícia Militar na Cidade Universitária. “Isso é um resquício do período autoritário”, “Estamos vivendo outro momento”, disse. Enfatizou, ainda, que associar segurança pública à repressão é algo superado.

Concordo com o governador. Segurança deveria ser, acima de tudo, sinônimo de liberdade e a polícia um instrumento para garanti-la. Mas convido Alckmin a assistir às imagens ou a escutar os manifestantes que estiveram na Paulista no último sábado. Eles têm uma outra história para contar. Read More

Muitos professores e alunos se revoltam contra a revolta das funcionárias da limpeza que despontou em algumas das unidades da USP, após a empresa dar um calote horroroso em seus parcos salários. Nenhum destes quer saber se estes funcionários e funcionárias vão receber.

A reitoria quer empurrar a responsabilidade para a empresa. Esta empurrou para a faculdade e ninguém quer assumir quem vai pagar. Não querem aumento de salário, o que seria justo pois recebem pelo piso nacional e não estadual para prestação de serviço terceirizado, mas querem apenas receber o que trabalharam e não foi pago. Read More

 
Extra ! Extra !
Parem as prensas, pare a imprensa !
Confiram mais um furo do nosso bolog.

Eis que sabendo da questão de nossos funcionários da limpeza que
protagonizam a dita revolta das vassouras, nada menos que Carlos
Drummond de Andrade, diretamente de uma mesa espírita manda texto
em apoio à greve dos faxineiros da USP.

Vejam vocês o brilho e a clareza do mestre :

CONVERSA COM O FAXINEIRO

Amigo faxineiro, mais paciência.
Você não pode fazer greve.
Não lhe falaram isto, pela voz
do seu prudente sindicato?
Que você é terceirizado e
não sabe que sua pá de lixo
é essencial a pesquisa científica nacional?

A lei o diz (decreto-lei que
nem sei se pode assim chamar-se,
em todo caso papel forte,
papel assustador). Tome cuidado,
faxineiro camarada, e pegue a pá,
me remova depressa este monturo
que ofende a minha vista e o meu olfato.

Você já pensou que descalabro,
que injustiça ao nosso status butantãnico, paulistânico,
pinheirense,
madalênico,
se as calçadas da reitoria, da FEA e outras conspícuas
vias de alto coturno continuarem
repletas de pacotes, latões e sacos plásticos
(estes, embora azuis), anunciando
uma outra e feia festa: a da decomposição
mor das coisas do nosso tempo,
orgulhoso de técnica e de cleaning?
.
Ah, que feio, meu querido,
essa irmanar de ruas, avenidas,
laboratórios, faculdades, praças e betesgas e tatatá
da nossa USP tão precisa
e tão compartimentada socialmente,
na mesma chave do perfume intenso do Pinheiros
que Lanvin jamais assinaria!

Veja você, meu caro irrefletido:
a Rua Cata-Piolho, em Deus-me-livre,
equiparada à Rua da Reitoria
(ou esta àquela)
por idêntico cheiro e as mesmas moscas
sartrianamente varejando,
os restos tão diversos uns dos outros,
como se até nos restos não houvesse
a diferença que vai do lixo ao luxo!

Há lixo e lixo, meu faxineiro.
O lixo comercial é bem distinto
do lixo acadêmico, e este, complexo,
oferece os mais vários atrativos
a quem sequer tem lixo a jogar fora.
Ouço falar que tudo se resume
em você ganhar um pouco mais
de mínimos salários.
Ora essa, rapaz: já não lhe basta
ser o confiscável serviçal
a que a USP confere a alta missão
de sumir com seus podres, contribuindo
para que nossa imagem se redobre
de graças mil sob este céu de anil?

Vamos, aperte mais o cinto,
se o tiver (barbante mesmo serve)
e pense na universidade, nos seus mitos
que cumpre manter asseados e luzidos.

Não me faça mais greve, irmão-faxineiro.
Eu sei que há pouco pão e muita pá,
e nem sempre ou jamais se encontram dólares,
jóias, letras de câmbio e outros milagres
neste pântano do butantã.

E daí? Você tem a ginga, o molejo necessários
para tirar de letra um samba caprichado
naqueles comerciais de televisão,
e ganhar com isto o seu cachê
fazendo frente ao torniquete
da inflação.

Pelo que, prezadíssimo faxineiro,
estamos conversados e entendidos:
você já sabe que é essencial
à pesquisa nacional
e, por que não, à educação multinacional.