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As revoltas não só desafiam a repressão dos regimes, mas também o implícito apoio ocidental aos tiranos mediante a economia

Mónica G. Prieto – Periodismo Humano via Brasil de Fato

“É a economia, estúpido!”. A famosa frase de James Carville, assessor de Bill Clinton durante a campanha eleitoral que o levou à Casa Branca em 1992, serve para responder as perguntas que muitos fazem. Por que o insuportável silêncio internacional diante das legítimas rebeliões de populações que exigem liberdade, dignidade econômica e pessoal e democracia? Por que se tem tolerado durante décadas os abusos aos direitos humanos das ditaduras aliadas do Ocidente que têm gerado a atual revolução que percorre o mundo árabe, desde Marrocos até a Arábia Saudita? O que explicava as visitas de Estado a regimes ditatoriais e cleptocracias, os abraços e beijos com os autocratas árabes, as bênçãos a sistemas de governo em desacordo com a legalidade? A resposta são bilhões de dólares e uma estabilidade regional que tem beneficiado a Europa e os Estados Unidos e seu principal aliado regional, Israel, em troca da insegurança das populações árabes. Read More

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Robert FiskCarta Maior

O terremoto das últimas cinco semanas no Médio Oriente foi a experiência mais tumultuosa, estilhaçadora e atordoante da história daquela região desde a queda do Império Otomano. Desta vez, “choque e constrangimento” são expressões adequadas à realidade. Os dóceis, exagerada e impenitentemente servis árabes descritos pelo orientalismo, transformaram-se nos lutadores pela liberdade e pela dignidade que nós, os ocidentais, sempre presumimos ser nosso e único papel no mundo. Um após outro, os sátrapas caem, e a gente a quem pagávamos para controlarem está a fazer a sua própria história; o direito a metermo-nos nas suas vidas (que obviamente continuamos a querer exercer) está definitivamente limitado. Read More

por Robert Fisk, The Independent, UK via Vi o Mundo

[Traduzido pelo Coletivo Vila Vudu]

Mais de 15 mil homens, mulheres e crianças sitiados no aeroporto internacional de Trípoli, na 4ª-feira à noite, gritando e berrando por lugares nos poucos aviões ainda preparados para partir do arruinado estado de Muammar Gaddafi, pagando propina depois de propina a cada policial líbio que aparece, para tentar aproximar-se dos balcões de venda de bilhetes, uma multidão de famílias, encharcadas de chuva e famintas. Muitos foram espancados. Os guardas líbios espancam com selvageria os que tentam abrir caminho até os guichês. Read More

Com duas ditaduras a menos, o mundo árabe começa a mudar de feição. Até que ponto?

Por Antonio Luiz M. C. Costa – da revista Carta Capital (edição 634)

Com Hosni Mubarak, o Egito tinha uma ditadura de fato sob as aparências de um Estado de Direito, com presidente eleito (em eleições fraudadas), Parlamento (monopolizado pelo governista Partido Nacional Democrático) e Constituição (ditada por Anuar Saddat e Mubarak). Agora, tem uma democracia em gestação sob as aparências de uma ditadura militar que, pressionada pelo povo nas ruas, expulsou o presidente, dissolveu o Parlamento e suspendeu a Constituição. Ou seria essa uma descrição excessivamente otimista dos fatos? Read More


De passagem pelo Cairo, onde participaria do salão egípcio do livro, o tradutor brasileiro do “Livro das Mil e Uma Noites” (Globo) foi surpreendido pela eclosão da revolta popular contra o ditador Hosni Mubarak, no poder desde 1981. Neste depoimento, ele narra o clima na cidade e comenta aspectos culturais do levante.

MAMEDE MUSTAFA JAROUCHEFolha de São Paulo (6.fev.2011)

CHEGUEI AO CAIRO num dia e no outro começaram as manifestações que culminaram no 25 de janeiro. Mudei-me para o meu prédio num dia e no outro o elevador quebrou. Um livro que organizei para a Editorial Al-Jamal, de Beirute e Bagdá, ia ser lançado na Feira do Livro do Cairo, realizada anualmente entre a segunda quinzena de janeiro e a segunda de fevereiro, e que acabou sendo cancelada até segunda ordem. Read More